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Cinema

Cannes: Garance, de Jeanne Herry

Atriz Adèle Exarchopoulos consegue se distanciar da personagem central, uma atriz alcóolica.

18/05/2026 10:42, atualizado 04/08/2026 18:19
Divulgação/Festival de Cannes
Cannes: Garance, de Jeanne Herry

Desde que ganhou uma Palma de Ouro por Azul É A Cor Mais Quente, a atriz Adèle Exarchopoulos virou presença maciça do Festival de Cannes. Desta vez, ela arrisca ser confundida com a personagem do filme Garance, uma atriz que, durante a trama, vive um romance lésbico com outra mulher. Parte de uma trupe regular de teatro, e morando com uma colega, tudo na vida poderia dar certo, não fosse um pequeno detalhe: seu alcoolismo. O mais engraçado é que, dado o tema, o filme é sóbrio demais.

Os dias de Garance são cheios. Além do trabalho regular com sua trupe, em diversos teatros de Paris, ela ainda tenta a carreira no cinema, indo de teste em teste. Também tem um trabalho seguro como dubladora de filmes internacionais (esse hábito francês é até maior que o brasileiro, pois apresentam em versão francesa quase todo filme americano que entra no país, seja para crianças, seja para adultos). Tudo bem que sua vida amorosa é inexistente, mas ela é próxima da irmã, em tratamento contra um câncer.

Entre um compromisso e outro, vamos notando seu hábito de aproveitar um bom vinho francês, seja na taça ou na própria garrafa. Públicos de outros países talvez demorem um pouco para entender quanto vinho é muito vinho para uma francesa, mas fica claro que o hábito frequente começou a dar problemas para ela. Na verdade, dada sua habilidade em navegar bem as ressacas, ela poderia ser a garota-propaganda do alcoolismo funcional.

Quando conhece Pauline (Sara Giraudeau), uma artista autônoma com voz de fadinha. A namorada é atenta e responsável, enquanto Garance fica desorganizada e distraída. O que poderia ser um caminho novo para ela na verdade é um revés: com a vida em segurança, o alcoolismo piora. Tem gente que aproveita momentos bons para viver loucamente. O roteiro habilidoso da diretora Jeanne Herry passa pelos clichês de filmes como este sem mostrá-los de maneira histriônica. Uma noite na balada, por exemplo, é ocultada e vemos apenas Garance acordando dentro de um ônibus no meio da madrugada, com sua meia-calça rasgada e a maquiagem escorrida na face. Mais um dia na vida para ela.

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Após um exame médico, quando descobre que seu fígado está comprometido, Garance resolve mudar de vida. Só que aos poucos. Em vez de desistir do álcool, diminui a quantidade. Seu futuro com a companhia de atores é colocado em dúvida, e até a pandemia de covid aparece pra dificultar as compras de mercado. No final das contas, a sobriedade do filme e a maneira como trata seu tema até vira uma desvantagem, pois a trama desenrola quase que aleatoriamente, precisando que ela piore quando é bom para o roteiro, e melhore quando precisamos de esperança.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

Cannes: Garance, de Jeanne Herry