Cannes: Dossier 137, de Dominik Moll

Investigação policial beira uma diversidade de temas atuais.

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Festival de Cannes/Divulgação
Dossier 137
1 de 1 Dossier 137 - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Existem momentos de azar que duram segundos, mas que definem vidas inteiras. Vários destes, uma parcela significativa, vale dizer, se deriva de encontros com forças policiais. É um problema global, perene, ofensivo e alienante. Dossier 137 disseca um destes encontros, em Paris. “Disseca” é a palavra certa, pois o que o diretor Dominik Moll busca é colocar a trama de maneira desafetada por todo o caldeirão de indignação social que atingiu um ápice em 2020. Sua personagem central é Stéphanie (Léa Drucker), policial do departamento que investiga os próprios policiais. É uma tarefa ingrata, mas fundamental, como caracterizada na performance de uma das atrizes mais capazes da França.

O caso 137 acontece durante um dos inúmeros protestos “gilets-jaunes” que aconteceram contra medidas econômicas de austeridade implementadas pelo governo Macron. Um adolescente, Guillaume (Côme Péronnet), é atingido no rosto por um tipo de bala de borracha, de uso policial, que o deixa com dano cerebral. O caso ganha atenção nacional (não menos, como o próprio filme atesta, pelo fato da vítima ser um menino branco) e a polícia deve uma resposta. “Por que ninguém gosta da polícia”, pergunta o filho pré-adolescente de Stéphanie. É esta a pergunta mais abstrata que o filme trata.

O tema do filme é que a verdade basta: que o descaso da reação policial é evidenciada pelos fatos, e que isto deveria ser o suficiente. A investigação de Stéphanie é precisa e dura, elucidando todas as informações necessárias para o esclarecimento do que aconteceu. Só que a investigação suscita todo tipo de animosidade, dentro da polícia, e fora dela. O ex-marido de Stéphanie também é um policial, que ainda namora outra policial. E o cerco apelativo que vem da corporação usa de toda artimanha a seu alcance para encorajá-la a maneira.

Para o azar da policial, o menino é originário da mesma vila de interior que ela e, numa visita, Stéphanie encontra, sem querer, a mãe dele num supermercado. Mais pressão, com a emoção direta, recai sobre ela. A investigação também a leva a uma funcionária de um hotel vizinho ao local do tiro. Imigrante e negra, a possível testemunha tem medo de oferecer informações esclarecedoras por conta de possíveis represálias.

Apesar de conter todos os elementos de um filme emocionalmente forte, cujas potencialidades dramatúrgicas atingiriam níveis operáticos, o diretor mantém o olhar clínico e seco. Isso o leva a um lugar que não surpreende ou emociona, e um pequeno discurso temático de Stéphanie, ao final, registra que, no final das contas, ele não conseguiu o distanciamento que buscava, enfraquecendo o efeito final da trama.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comEntretenimento

Você quer ficar por dentro das notícias de entretenimento mais importantes e receber notificações em tempo real?