Cannes: Dangerous Animals, de Sean Byrne

Mescla de gêneros de serial killer e tubarões tem boa adrenalina.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Dangerous Animals
1 de 1 Dangerous Animals - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Existem gêneros e premissas cinematográficas que são tão batidos a ponto de ficarmos gratos por mera competência. Como filmes de serial killers. Ou filmes de ataques de tubarão (o mais famoso deles praticamente inaugurou a era do blockbuster). A proposta do diretor Australiano Sean Byrne é divertida: unir os dois. Próximo passo: contar dinheiro.

Tucker (Jai Courtney) opera uma embarcação para passeios em alto-mar que oferece encontros com tubarões. A freguesia veste equipamento de mergulho, entra numa gaiola de proteção, e submerge via um guindaste para curtiros predadores de pertinho. O que ninguém parece perceber é o quanto a proposta cede de controle e dominação a Tucker que, descobrimos, é um serial-killer moderno cujo método favorito de despachar vítimas é transformá-las em alimentação. Num toque de cinema, Tucker ainda filma todas as mortes. *This is cinema, diria Scorsese.

O que tem o tubarão de tão primal? Além de inspirar Spielberg a fazer o clássico do gênero, tubarões ainda formam uma das melhores piadas da comédia Austin Powers. Praticamente irrelevante hoje, surge na cabeça o plano mirabolante do vilão Dr. Evil em ter uma caverna cheia de tubarões com armas laser na cabeça para dar cabo aos seus inimigos. Filmes como Deep Blue Sea, e o icônico fim do personagem de Samuel L. Jackson, assim como propostas completamente independentes como Open Water, fascinam e arrecadam. Talvez seja mesmo aquela semente, plantada na década de 70, em que um deles aterrorizou a cidade inteira de Amity.

O elixir sagrado para o filme de Byrne, porém, é a dinâmica de gato-e-rato montada quando Tucker abduz Zephyr (Hassie Harrison), uma surfista feroz e independente, sagaz em se manter alerta contra os perigosas que a rondam. Não adianta muito no começo, e ela logo logo está amarrada no barco do psicopata, mas o filme ainda tem muito a percorrer e é a administração desta tensão que Byrne torna eficaz. As maneiras com a qual Zephyr segue sobrevivendo, além de uma ou outra reviravolta, são ótimas, e não ofendem a lógica do espectador que espera inteligencia nestes personagens.

O Festival de Cannes, supostamente pretencioso, abriga qualquer tipo de filme, e um dos macetes a se aprender é que, quando se trata de filmes de gênero, o Festival só escolhe os fortes.

Avaliação: Bom (3 estrelas)

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