Cannes: Dalloway, de Yann Gozlan

Inteligência artificial é pauta para uma escritora auto-destrutiva.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Dalloway
1 de 1 Dalloway - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Se a inteligência artificial for o porvenir, a humanidade está mais lascada do que se imagina. Diferentemente das utopias do século passado, como o Exterminador do Futuro ou Matrix, aonde robôs escravizam ou exterminam os seres humanos, a revolução virá através de software de programação, e não força bruta. As sessões de meia noite do Festival de Cannes são conhecidas por abrigar os filmes pulp–as histórias brincalhonas enquanto trash estético, de violência e de estilização. Só que a primeira exibição do ano, que aborda justamente a ameaça tecnológica, tenta se levar um tanto quanto seriamente enquanto deveria abraçar o ultrajante.

Clarissa (Cécile de France) é uma escritora que já teve sucesso enquanto autora de ficção infanto-juvenil. Assim como todos os outros escritores que protagonizam filmes, ela está sofrendo de um bloqueio criativo, e por isso aceita um projeto de residência artística que envolve o uso de uma assistente virtual, Dalloway (voz de Mylène Farmer). A IA toma conta de tudo na casa, desde as compras de mercado até a agenda de Clarissa. Pois se o smart-home pode ser comparado com a nave espacial de 2001: Uma Odisseia no Espaço, também é certo afirmar que Dalloway compartilha muitas diretrizes com HAL.

A atriz principal, Cécile de France, é um tesouro nacional (está no próprio nome, afinal!) e é sua presença que atrai o espectador ao filme. Clarissa é uma personagem trágica desde o começo. Temos a indicação que algo pesado aconteceu em seu passado. O tema do livro que está tentando escrever, sobre as últimas horas da escritora americana Virginia Woolf, não ajuda. Woolf se suicidou, afogada, e o ato parece ter um espelhamento para a protagonista.

Quando não está isolada na casa, Clarissa tenta navegar os membros da academia à sua volta. Um deles, Matias (Lars Mikkelsen), tem certeza que os artistas trabalhando no programa são, na verdade, cobaias sendo usadas para modelar e programar futuras versões das IAs. É o paralelo mais atual do fenômeno. Hoje, estas tecnologias percorrem a internet lendo e assistindo todo o conteúdo online para formar suas “inteligências”, sem reconhecerem ou pagarem o uso de conteúdo protegido por direitos autorais.

Mesmo sendo tão atual, “Dalloway”, o filme, simplesmente não tem muito a dizer. O tom do filme também parece off, sendo mais sério do que deveria para uma história tão simples. Provavelmente faria mais sentido como uma sátira, algo exagerado ou histriônico o suficiente para causar algum impacto. Gozlan exige seriedade de toda a sua equipe, mesmo quando algumas de sua premissas são bobinhas. O resultado é um filme sério demais, interessante de menos.

Avaliação: Ruim (1 estrela)

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