Cannes: “Blade of the Immortal”, de Takashi Miike

Uma aventura divertidíssima, banhada em sangue e humor negro, com algumas das melhores sequencias de ação dos últimos anos.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Blade of the Immortal
1 de 1 Blade of the Immortal - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Takashi Miike, prolífico diretor japonês com mais 100 filmes creditados a ele, mais erra do que acerta. Tudo bem, com este tanto de filmes, isso seria considerado aceitável. Só que quando ele acerta, é difícil não imaginar quantas outras maravilhas ele poderia fazer se fosse mais devagar e se concentrasse mais. Miike não aceita ser identificado com um só tipo de filme, e portanto tem em seu currículo obras que se passam num Japão antigo e mítico assim como da sociedade contemporânea. “Blade of the Immortal” une uma ambientação do Japão de samurais, com a sensibilidade, humor, montagem e ação do cinema moderno para uma aventura divertidíssima, mesmo que ela não peça pra ser levada a sério.

Logo no começo do filme, em uma luta samurai que com certeza entrará para a história do gênero, um ronin chamado Manji (Takuya Kimura) executa a gangue de bandidos responsáveis pela morte de sua irmã mais nova, Machi (Hana Sugisaka). Gravemente ferido, Manji é encontrado por uma feiticeira que lhe coloca uma maldição: vida eterna e o poder de auto-cura acelerada (assim como o poder de Wolverine). Anos depois, revemos Manji vivendo uma vida isolada, como um eremita banido da civilização por conta própria. Apesar de ter se aposentado da luta, Manji aceita uma nova missão: assassinar um psicopata e proteger uma jovem menina que parece com sua finada irmã (também interpretada por Hana Sugisaka).

Miike já fez todo tipo de filme samurai possível. Um de seus primeiros sucessos internacionais foi “Ichi the Killer” passado na modernidade, nos tempos dos yakuzas. Em 2010 lançou “13 Assassins”, quase um sucessor espiritual de “Os 7 Samurais”, aonde um grupo de ronins se juntam para acabar com um lorde psicopata. Veterano de Cannes, em 2011 participou com outro filme de samurai que se passava no Japão feudal. “Hara-kiri”, refilmagem de um clássico da década de 60, foi o primeiro filme 3D a participar de uma mostra competitiva no Festival.

“Blade of the Immortal” tem uma trama simples e antiga, com temas usuais: o veterano que abdicou de uma vida violenta, mas que retorna para um último serviço, a menina, criança, que o contrata e a relação de pai e filha que terá com ele, a redenção kármica de fazer a coisa certa, o buddy movie e ainda a luta de poucos contra muitos. Miike une estes temas com vários elementos de trama que já usou antes e com os quais é extremamente familiar, como nos filmes listados acima. Além disso, ainda tem o manga original em que o filme se baseia para fomentar o material.

Dizer que o filme é uma obra-prima seria um exagero, mas de certa forma ele é a culminação de várias vertentes do trabalho de Miike. Sua grande obra samurai, “13 Assassinos”, e mesmo “Hara-Kiri” não têm nada de seu senso de humor bizarro. “Ichi” e “Yakuza Apocalypse” tem um humor escrachado demais, que roubam peso dramático de seus enredos. “Blade of the Immortal” consegue manter o balanço entre o ridículo e o profundo, entre a risada e a catarse, essa última, na maior parte, atingida por meio da violência.

O filme tem 2 horas e 20 minutos de duração. Ele começa com uma carnificina aonde mais de 100 pessoas morrem. E a violência é contínua. Manji não deixa de ser uma versão de um super-herói. Assim como nestes filmes, nós sabemos que uma luta não causará sua morte. Há de existir ainda um filme aonde o super-herói principal, como os Homens de Ferro, Homens-aranha e Super-Homens da vida morram. Compartilhando deste mesmo paradoxo, em que o protagonista se envolve em situações arriscadas, mas sem chance verdadeira de morrer, Miike resolve explorar a ação, em toda sua magnitude. Sem a limitação da censura para o público juvenil, Manji sobrevive carnificina após carnificina, lutando contra dúzias, dezenas e centenas de inimigos ao mesmo tempo.

“Blade of the Immortal” vale por ação e diversão. Nos melhores momentos, exemplifica o melhor da cinematografia.

Avaliação: Excelente (5 estrelas)

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