Cannes: “A Hidden Life”, de Terrence Malick

O diretor americano fusa sua visão grandiosa com uma figura histórica pequena, porém importante.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
A Hidden Life
1 de 1 A Hidden Life - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Terrence Malick, vencedor da Palma de Ouro com “A Árvore da Vida” em 2011, mescla questões filosóficas e cósmicas em suas histórias sobre o Homem e a Natureza. Em seu novo filme, ele contempla a futilidade de um ato pequeno, feito por um homem que não está destinado a fazer um grande impacto na História (assim, com H maiúsculo).

Franz Jägerstätter (August Diehl) é baseado em um personagem real, um camponês alemão que se recusou a fazer o juramento de lealdade à Hitler demandado de milhões de seus compatriotas na Segunda Guerra Mundial. Vivendo uma existência pacífica em um vilarejo montanhesco com sua esposa Fani (Valerie Pancher) e duas filhas, ele e seus vizinhos estão completamente isolados de acontecimentos políticos e históricos. (O tema de um Éden perdido é constante nos filmes de Malick.) Convocado para se juntar ao exército alemão, ele recusa.

Franz não é necessariamente o maior pacifista. Ele chegou a ser treinado pelo exército, anos antes de sua convocação, apesar de nunca ver combate. Convocado após o início da guerra, e bem ressabido do propósito desta, sua consciência Cristã simplesmente não permite que ele aceite.

O que sucede é o que todos conhecemos: ostracismo em sua comunidade, hostilidade direcionada a ele e sua família por pessoas que antes eram colegas, um período de aprisionamento e a possibilidade de uma sentença de morte, caso ele não se alinhe. O que torna este filme diferente dos mais recentes de Malick é que ele permite cenas entre seus personagens, e diálogos entre múltiplos atores.

Enquanto ruminações prévias não permitiam nada além de um voice-over pretensioso e vagarias visuais, “A Hidden Life” engaja verbalmente seus temas. Cenas existem completas, e personagens trocam ideias. O efeito mais forte da decisão de Franz é exercido sobre sua família. O sofrimento de sua esposa e filhos, após sua prisão, não é só emocional, mas também financeiro e existencial. O quanto deve Franz à sua família, a seus filhos, que sentem sua falta e passarão a vida sem o pai? Um mero juramento o conduziria de volta pra casa, ele nem precisaria lutar. Nesse momento, sua decisão é puro egoísmo?

Atores de renome engajam com Franz, na figura de padres, juízes e advogados (o grande Bruno Ganz, que famosamente interpretou Hitler em “A Queda” e falecido em fevereiro, é o mais engajante). Todos parecem admirar a força deste homem, mesmo que tenham de tentar convencê-lo a fazer o contrário. Franz é exposto a todo tipo de humilhação e violência, mas segue resoluto.

A história “pequena” é apresentada com ares de grandiosidade, por Malick, com uma duração épica de 3 horas, decisão desnecessária para a trama. Em seus primeiros filmes, “Badlands” e “Days of Heaven”, Malick fazia tudo o que queria em menos de uma hora e meia. Continuam filmes grandiosos, também filosóficos e ruminativos, e até melhores, do que a nova safra do diretor. É esta teimosia que enfraquece este filme e que, infelizmente, fará com que ele seja pouco visto.

Avaliação: Bom (3 estrelas)

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