11 de setembro e cinema, as reações à barbárie

Filmes como “Fahrenheit 11 de Setembro” e “Guerra dos Mundos” refletiram de maneiras distintas os atentados ao World Trade Center

atualizado

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Havia, no pós-11 de Setembro, o temor de que o bárbaro ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, provocasse represálias por parte de Hollywood. O cinemão haveria de punir exemplarmente os responsáveis pelo atentado, e o medo é que terminasse penalizando todo o mundo árabe. Precedentes não faltavam – em plena era Ronald Reagan, Sylvester Stallone derrotou o soviético Drago na disputa ideológica de “Rocky IV”, que dirigiu, e também venceu na ficção a Guerra do Vietnã, que os EUA haviam perdido na realidade, em “Rambo II – A Missão”, de George Pan Cosmatos.

O que houve foi algo completamente diverso, e inesperado. O endurecimento do presidente George W. Bush provocou protestos de violações dos direitos humanos, em meio a denúncias de ligações da família dele com potentados árabes, a quem seguiria favorecendo por baixo do pano. O documentarista Michael Moore foi importante no processo, e chegou a ganhar a Palma de Ouro por “Fahrenheit 11 de Setembro”, em 2004. Moore mostrou a cara apalermada de Bush filho recebendo a notícia do ataque durante visita a uma escola da Flórida. Provou, por A + B, que, enquanto fechavas aeroportos e fazia ameaças, a administração fornecia salvo-condutos a sócios árabes dos petrodólares dos Bush. O pior – em busca de apoio de empresários para a Guerra do Iraque, o governo prometia dinheiro para todos na reconstrução do país que seria devastado por bombas.

O resto é História, com maiúscula. A prisão de Guantánamo, para onde eram enviados, sem base legal, suspeitos de terrorismo, os abusos documentados na prisão de Abu Ghraib, tudo começou a minar a credibilidade que o governo americano poderia ter alcançado, não só a nível interno, mas mundial. Filmes como “Caminho para Guantánamo”, de Michael Winterbottom, “Sob a Névoa da Guerra”, de Errol Morris, e “Voo United 93” (foto no alto), de Paul Greengrass, repercutiram na imprensa liberal dos EUA. Surgiu um belo projeto coletivo – autores de diversos países (o inglês Ken Loach, a iraniana Samira Makhmalbaf, etc.) focaram o ataque de diversos ângulos em “11 de Setembro”. Loach, numa carta emocionada, lembrou outro ‘nine eleven’ (11/09), aquele que, em 1973, depôs o governo constitucional de Salvador Allende, no Chile.

Mas nada se compara ao que fez Steven Spielberg. Sem uma só referência direta ao World Trade Center, ele construiu o que compõe uma trilogia informal – “O Terminal”, “Guerra dos Mundos” e “Munique”. O imigrante perseguido e humilhado no primeiro, o risco da paranoia (o ataque dos alienígenas) e a questão ética embutida no combate ao terror (o risco de se perder a alma, adverte a premiê Golda Meir) compuseram um monumento artístico, e humanista. A arte contra a barbárie. O terror continua. A necessidade de reflexão, também.

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