Carnaval 2026: veja como foi o primeiro dia de desfiles na Sapucaí
A Marquês de Sapucaí recebeu, nesse domingo (15/2), o primeiro dia de desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro
atualizado
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A Marquês de Sapucaí recebeu, neste domingo (15/2), o primeiro dia de desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. As apresentações começaram às 21h45, com a agremiação Acadêmicos de Niterói estreando a avenida.
Desfilaram as escolas de samba Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Outras oito escolas também passam pela avenida nesta segunda-feira (16/2) e terça-feira (17/2).
Acadêmicos de Niterói
A escola de samba Acadêmicos de Niterói, primeira agremiação do Grupo Especial a desfilar na Marquês de Sapucaí, homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
A agremiação destacou a trajetória do mandatário, iniciando em 1952. Paulo Vieira, ator e humorista, foi responsável por dar vida ao presidente na apresentação. O presidente assistiu à parte do desfile em sua homenagem do camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, mas acabou descendo para a avenida.
O samba-enredo da agremiação teve referências diretas ao universo do PT. A letra reproduziu um dos gritos de guerra entoados pela militância (“Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”) e menciona, em duas passagens, o número de urna do partido. Janja também é citada.
Na letra do samba, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família, em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista, em alusão à trajetória do chefe do Executivo.
Um dos carros alegóricos da escola de samba enfrentou problemas com um de seus destaques assim que entrava na Marquês da Sapucaí. A alegoria precisou ficar parada por um tempo devido ao imprevisto de última hora e foi necessário usar uma escada para que o destaque subisse no carro.
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Imperatriz Leopoldinense
Segunda escola de samba a desfilar neste domingo, a Imperatriz Leopoldinense teve o samba-enredo “Camaleônico”. A agremiação homenageou o cantor Ney Matogrosso, que chegou cedo à Marquês de Sapucaí e foi ovacionado pelos integrantes da escola.
O enredo destacou a contribuição do artista para a música brasileira, passeando por sua vida e carreira. O cantor, inclusive, entrou em um dos carros alegóricos e passou por toda a Sapucaí.
IZA foi rainha de bateria da escola de samba. A cantora apareceu vestida de cobra, toda de vermelho e brilho, e sua fantasia solta fumaça pelas narinas. No Instagram, ela exaltou Ney: “Camaleônica, vestida de mil peles, para representar tudo o que Ney Matogrosso é: potência e poesia viva que abriu caminho para tantos outros serem, sem culpa!”.
O samba-enredo citou grandes sucessos de Ney Matogrosso, como Homem com H. “Eu sou o poema que afronta o sistema / A língua no ouvido de quem censurar / Livre para ser inteiro / Pois sou homem com H / E como sou…”, diz um trecho.
A escola enfrentou um pequeno problema com um dos carros alegóricos. A agremiação teve dificuldades para colocar o destaque no topo da alegoria e atrasou a evolução, deixando um buraco na avenida.
Portela
A Portela apresentou o enredo “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. A agremiação foi a terceira escola a desfilar no primeiro dia de apresentações do Grupo Especial.
A agremiação decifrou o Rio Grande do Sul a partir de Custódio Joaquim de Almeida, um príncipe da região do Benin que encontrou morada por lá. Sua chegada revolucionou a negritude local, impactou a consolidação do Batuque, religião afro-gaúcha, e serviu como inspiração para gerações do movimento negro.
Vinicius Suma, filho de Gilsinho, intérprete da Portela que morreu no ano passado, caiu no choro antes da escola da samba iniciar o seu desfile na Marquês de Sapucaí. Gilsinho faleceu em setembro de 2025, aos 55 anos, “em decorrência de complicações após um procedimento cirúrgico”.
A Portela impressionou após um integrante da escola “voar” pela avenida durante o desfile.
CARA, TEM ALGUÉM VOANDO NA COMISSÃO DE FRENTE DA PORTELA
QUE ISSO, MANÉ???#CarnavalVDS pic.twitter.com/8D7j2ZNbQ6
— Voz do Samba 🥁 🎙️ (@vozdosamba_) February 16, 2026
O último carro alegórico da agremiação enfrentou problemas e atrapalhou a evolução da escola. O carro demorou para entrar na avenida, deixando um longo espaço vazio na Sapucaí.
A escola precisou parar a apresentação para esperar a alegoria final. A situação levou a equipe de apoio às lágrimas.
Estação Primeira de Mangueira
A Mangueira fechou o primeiro dia de desfiles com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”.
A escola enaltece as tradições afro-indígenas do extremo Norte do país. “Nessa saga amazônica, olhamos dentre árvores que murmuram histórias, rios que serpenteiam vidas, seivas vastas que nutrem causos milagrosos e tambores com sons que anunciam: o nosso compromisso com as dádivas das ervas está selado”, diz a agremiação.

























