Violência doméstica: número de medidas protetivas concedidas cai 34%
Segundo levantamento do TJDFT, o número de medidas protetivas de urgência concedidas caiu de 15 mil para 10 mil entre 2023 e 2024

O número de medidas protetivas de urgência (MPUs) concedidas para vítimas de violência doméstica sofreu queda de 34% no Distrito Federal, entre 2023 e 2024.
Segundo levantamento do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), foram concedidas 15.744 MPUs ao longo de 2023. Em 2024, caiu para 10.393.

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Ver todasNo mesmo período, houve aumento dos pedidos não concedidos. Em 2023, foram rejeitados 1.691. Durante 2023, 2.547 não foram aceitos. Percentualmente, foi um crescimento de 50%.
No caso das medidas concedidas parcialmente, quando o juiz não acolhe todas as restrições de segurança solicitadas, houve aumento de 58%. O número saltou de 3.257 para 5.161.
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As MPUs podem ser revogadas a pedido da pessoa ofendida, modificadas, readequadas ou alteradas quando outros elementos indiquem não haver mais situação de risco. Entre 2023 e 2024, o número caiu de 3.355 para 2.844.
Participação da vítima
Segundo o TJDFT, a participação ativa da vítima no plano de proteção é de fundamental importância para a efetividade do cumprimento e adequação das medidas protetivas.
Por exemplo, a vítima precisa comunicar os descumprimentos, como o recebimento de mensagens e áudios, e noticiar tentativas ou efetivas aproximações de imediato.
Essas informações evitam o agravamento das violências e oferece condições para a Justiça adotar e adequar ao caso, segundo os riscos, ferramentas protetivas mais eficientes, podendo culminar inclusive na prisão preventiva.
Silêncio favorece o agressor
Se vítima não falar, não denunciar, não informar corretamente o sistema de Justiça, a medida protetiva pode não ser concedida ou perder a força necessária para garantir a proteção contra o agressor.
Por exemplo, se uma vítima com MPUs informa que o ofensor tem acesso a arma de fogo, o juiz vai deferir uma nova determinando a suspensão de posse ou porte de arma de fogo.
Outro exemplo, se a vítima protegida por MPUs solicita a suspensão das visitas aos dependentes menores, porque observou que o agressor está usando os filhos para ameaça-la, a juíza pode deferir uma nova medida.
Cada caso
De acordo com o TJDFT, a análise das MPUs é feita em cada caso concreto, mediante avaliação do risco atual, com base no Formulário Nacional de Avaliação de Risco para o Sistema de Justiça.
Fatores de risco de violência:
- Agressões físicas anteriores (tapas, socos, chutes e semelhantes são indicadores de risco de feminicídio);
- Escalada na frequência e intensidade da violência;
- Acesso a armas de fogo;
- Comportamentos de controle e ciúmes sobre a vítima;
- Ameaças de morte
Fortalecimento
O Núcleo Judiciário da Mulher (NJM) do TJDFT planeja continuar o fortalecimento dos vários programas e ferramentas de monitoramento das medidas protetivas.
A lista de ações inclui o Dispositivo Móvel de Pessoas Protegidas (DMMP), Viva Flor, e o Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid/PMDF), cujo o acordo de cooperação técnica está sendo renovado.
“Além disso, vamos trabalhar fortemente na prevenção com todas as ações no Maria da Penha vai à Escola (MPVE) e nas formações de todos os profissionais da Justiça local e da rede distrital de acolhimento, no atendimento e proteção para que tenham olhar sensível, não revitimizante, atuação eficiente e conheçam a Lei Maria da Penha e todas as ferramentas que protegem e responsabilizam”, destacou o NJM.
Canais de denúncia
Vítimas de violência doméstica têm diversos canais para denunciar os crimes e buscar apoio. Para acionar a Polícia Militar, basta ligar para o 190. Já a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres está à disposição pelo telefone 180.
Denúncias também podem ser apresentadas informadas à Polícia Civil pelo número 197 ou diretamente nas duas unidades da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam I e II).
O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mantém o WhatsApp 61 996-565-008 disponível para contato. Já o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) tem o Núcleo de Gênero, cujo contato é pelos telefones: 61 3343-6086 e 61 3343-9625.
Vítimas também podem buscar ajuda da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF); da Câmara Legislativa (CLDF), nas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher ou dos Direitos Humanos; e na Casa da Mulher Brasileira (CMB), em Ceilândia.



