Vigilante acusa servidor de injúria racial: “Me chamou de negão”

Vítima disse que, além das ofensas raciais, o servidor do Ibram tem o costume de exigir trabalhos não relacionados ao cargo de vigilante

atualizado 09/07/2022 19:37

Placa azul em parque no Guará - Metrópoles Daniel Ferreira/Metrópoles

Após semanas de assédio e pressão no ambiente de trabalho, um vigilante de 37 anos resolveu procurar a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para denunciar o supervisor, um agente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), por injúria racial. O crime teria ocorrido no Parque Ezechias Heringuer, no Guará.

Em um das situações, o servidor do GDF teria dito: “Porra, negão, tu nessa gordura e ainda quer comer?”. Em outra ocasião, o trabalhador precisou de uma chave para apertar o retrovisor da motocicleta e pediu a caixa de ferramentas emprestada. Nesse instante, ouviu nova discriminação: “P*rra, negão, você vem lá de Taubaté e quer pegar minha caixa de ferramentas para sumir de novo?”, questionou ele, insinuando que o subordinado teria cometido um furto.

“Tínhamos medo de denunciar, pois as ameaças dele eram constantes. Todos os dias, íamos trabalhar apreensivos com medo de sermos trocados de posto ou demitidos. Gritava o tempo todo, era superagressivo. Sempre nos tratava com muitos palavrões e mandava a gente se f*der ou tomar no c*”, revela.

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“Não podia ver uma pessoa negra ou malvestida que pedia para ficarmos de olho”, completa.

Segundo a vítima, além das ofensas raciais, o servidor do Ibram tinha o costume de exigir que eles fizessem trabalhos não relacionados ao cargo de vigilante, como vigiar detentos em trabalho externo, conhecidos como “funapeiros”, e vigiar chácaras próximas ao parque. A denúncia ainda aponta que o servidor pedia para que os seguranças guardassem vagas no estacionamento.

O estopim veio no início de julho, quando a vítima precisou telefonar para comunicar um fato ocorrido no trabalho. Na ocasião, ele ouviu: “Porra, negão, não é pra me ligar mais”.

Diante disso, sentiu-se vítima de injúria racial e procurou a polícia. O caso é investigado pela 4ª DP (Guará 2). Em respeito à Lei de Abuso de Autoridade, o nome do acusado não foi divulgado.

Repúdio

Em nota, o Sindicato dos Vigilantes do DF informou que acompanha toda a situação que o trabalhador, empregado da empresa Barsfort, vem sofrendo. Leia:

“Já foram feitas ocorrências policial e na ouvidoria do GDF. O Sindicato reitera o seu repúdio a esses atos praticados pelo referido servidor com testemunha do seu descalabro contra o vigilante. A direção desta entidade está dando todo o apoio jurídico e psicológico ao vigilante e cobraremos o rigor da lei neste caso, pois consideramos como crime o que aconteceu com este trabalhador, praticado por quem devia se comportar a altura do cargo que ocupa, primando por relações respeitosas e profissionais”.

Procurado pelo Metrópoles, o Ibram informou que “ainda não foi comunicado dos incidentes oficialmente, mas ressaltou condenar qualquer tipo de injúria racial e, caso seja comprovado o fato, vai tomar as medidas cabíveis, conforme determina a lei”.

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