Vídeos: em obras, Vicente Pires sofre com chuvas e lama

Moradores de algumas ruas reclamam de atoleiros e acidentes, mas governo confirma que melhorias ocorrem em ritmo forte e acabam até 2020

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 09/10/2019 13:32

As chuvas tão esperadas pelos brasilienses trazem também dores de cabeça para moradores de certas regiões do Distrito Federal. Caso conhecido é o de Vicente Pires. Na madrugada desta quarta-feira (09/10/2019), por exemplo, um ônibus atolou na Rua 4A da cidade. Obras no local, ainda incompletas, também atrapalham a situação da população e dos comerciantes.

Depois de 114 dias sem precipitações, o retorno das chuvas não significa transtornos apenas para Vicente Pires. Segundo o último balanço da Secretaria de Segurança Pública, de 2018, há 41 áreas de risco existentes em 19 regiões administrativas mapeadas pela Defesa Civil, com um total de 5.367 residências vulneráveis.

No caso de Vicente Pires, de acordo com moradores, a situação de algumas ruas é mais preocupante. Os locais foram prioridade do Governo do Distrito Federal (GDF) na hora de obras de melhoria. Entretanto, segundo entrevistados pela reportagem, as reformas começaram apenas em agosto deste ano.

Maria Suelly, 50 anos, mora na região há sete meses e diz que, apesar de os trabalhadores estarem lá todos os dias, a construção é muito lenta. “Cavaram os buracos rapidamente, mas agora têm que fechar”, ressalta. Parte da rua onde ela reside é de terra, então, ainda há muito incômodo pela falta do asfalto. “Quando não é lama, é poeira”, reclama Suelly.

Veja vídeos de enxurrada na Rua 3:

Comércio

O comércio também se diz prejudicado pela falta de estrutura. E sem a conclusão das obras, a situação piora. “Sentimos muito prejuízo. O movimento cai porque ninguém quer enfrentar essa lama”, conta Adriana Lima, 43, dona da Oficina Saturno, que fica na Rua 4.

Os funcionários das lojas locais concordam e lembram que, durante a chuva ocorrida na segunda feira (07/10/2019), cerca de quatro carros atolaram lá. “Um motoqueiro já se machucou porque estava muito difícil de passar no lamaçal. Ele caiu e quebrou o braço na rua”, conta Matheus Machado, que trabalha em uma oficina. Ele diz que, quando não chove, a poeira é tão forte que o nariz chega a sangrar.

“Já é uma questão de saúde pública”, ele ressalta. “A chuva levou até a tela que colocaram aqui para evitar que as pessoas caíssem nos buracos. E ainda não foi recolocada”, reclama Adriana.

Confira galeria de fotos do local:

Acidentes

Segundo moradores, houve um acidente na Rua 3, no dia 27 de setembro por volta das 12h, por causa do lamaçal. Um ônibus não conseguiu frear, derrapou na lama e bateu em outro coletivo, que, por consequência, colidiu com um carro.

“A rua está assim faz muito tempo. Não saía de casa há um mês. Tem que pensar muito antes de sair”, conta Adriana Freitas, 30 anos. A dona de casa era uma das passageiras de  um ônibus que atolou na Rua 3, por volta de 6h desta quarta (09/10/2019). Ela conta que estava indo para Taguatinga, na linha 0.43, quando o ônibus afundou na lama. “Ficou assim por cerca de 20 minutos. Aqui é tenso, os carros deslizam muito”, reclama.

Adriana Freitas explica que o motorista mudou o trajeto para não atolar. “Nem Uber entra aqui. Ele me deixou no começo da rua. São 25 minutos andando daqui até a minha casa”, comenta.

Administração

De acordo com a Administração de Vicente Pires, as obras estão entrando na fase da terraplenagem. A previsão para o fim das reformas é o final de 2020. O administrador da cidade, Aires Soares, afirma que a solução para a Rua 4 ainda está um pouco indefinida. “Estamos trabalhando junto à Secretaria de Obras. São questões de contrato e prazo que determinam, mas trabalhamos em um plano B para minimizar os danos aos moradores”, afirma.

Aires explica que, apesar de não haver uma rede pronta ainda, há modos de mediar a situação, como desviar a água. Ele afirma estar em contato com a Novacap todo o tempo, acompanhando as obras. E justifica que a rua onde os ônibus atolaram é um trecho grande, no qual falta fazer a ligação de rede com o DER. “É um serviço de abre e fecha todos os dias, mas, assim que terminarem esse trecho, será feita a terraplenagem e pavimentação”, assegura.

O mais importante, segundo Aires, é que a Secretaria de Obras e a administração tem feito ações paliativas para diminuir o impacto à população. “O problema em si só vai ser solucionado com a conclusão da obra, mas posso afirmar que o impacto será muito menor neste ano do que no ano passado”, diz.

Até o fim da semana que vem, o administrador garante, os grandes buracos serão concretados. “A prioridade do [governador] Ibaneis é resolver todas as pendências. Nesses sete meses, a obra andou bastante, mas é muito para fazer. Fazer o projeto, drenar e pavimentar uma área dessa magnitude não é fácil”, admite o administrador. Ele conclui afirmando que nesses trechos, com exceção da Rua 4, a drenagem será concluída.

Detalhes

Samuel Coelho Konig de Oliveira, chefe de gabinete da Administração, afirma estar em contato com a população o tempo todo pelos grupos de redes sociais e a ajudando onde é necessário. Porém, os prazos e as minúcias de contrato têm que ser vistos com a Secretaria de Obras. E os detalhes também, como é o caso da Rua 4.

“A Rua 4 tem 3,1 km de extensão. Já foram concluídas as obras em 2,5 km. Existe um trecho de 600 m que ainda não está concluído. O solo é diferente, é mole e exige um pouco mais de cuidado por parte da empresa”, afirma. “O grosso já foi feito, inclusive dentro dos condomínios. Falar que a obra está sendo lenta não é uma verdade”, argumenta Oliveira.

Secretaria de Obras

Em resposta ao Metrópoles, a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras afirmou que o contrato do Lote 8, que contempla a rua 3, vem desde 2016, mas nunca saiu do papel. “Sua execução só foi possível neste ano, após muito esforço da atual gestão”, diz, em nota. No momento, estão sendo executadas obras de drenagem, em obra de suma importância para a infraestrutura da região, “uma vez que esta rede é capaz de captar 18 milhões de litros de água por segundo”.

“Somente com a conclusão desta rede, a maior de Vicente Pires em captação, conseguiremos solucionar definitivamente os transtornos com alagamentos e atolamentos neste trecho. As obras estão avançadas e a expectativa é de que esta rede entre em funcionamento nos próximos dias”, garante a pasta.

Na rua 4, segundo a Secretaria de Obras, parte da via está concluída, com drenagem e pavimentação. Entretanto, a chegada do asfalto em toda a região depende da drenagem, e não é possível fazer tudo de uma vez. “Assim, a Secretaria de Obras pede paciência e compreensão da população, pois os transtornos de hoje se transformarão no conforto de amanhã”, afirma a nota.

Trabalhos atuais

As obras de drenagem, agora, se concentram nas ruas 3, 4, 8 e 12, enquanto as de pavimentação ocorrem nas ruas 4, 5 e 10. “Somente neste ano foram concluídas (drenagem e pavimentação) as ruas 3b, 3c, 6, 7 e 10, além de dezenas de condomínios e chácaras. Também foram pavimentados trechos das Ruas 3, 4 e da Colônia Agrícola Samambaia”, segundo a secretaria, informando que só em 2019 foram investidos de R$ 66,2 milhões.

De acordo com a pasta, a previsão é de que os serviços sejam concluídos em 2020. A assessoria de comunicação assegura que a população aprova o resultado do trabalho feito durante a estiagem e aponta que o correto seria executar a infraestrutura para depois construir residências e comércios.

“Em Vicente Pires se construiu primeiro para depois realizar as obras de infraestrutura”, aponta. Onde esses serviços estão sendo executados, é comum que a população enfrente alguns transtornos”, conclui.

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