Vídeo mostra suspeito de matar travesti a facadas na Asa Norte

Garotas de programa correram pela W3 para tentar ajudar Ana Clara Lima, ou Júlia, que foi esfaqueada e acabou morrendo

atualizado 18/01/2020 19:25

Reprodução/Vídeo

Imagens de câmeras de segurança mostram a movimentação de travestis na madrugada de sexta-feira (17/01/2020), na Asa Norte, e o suspeito de matar uma Ana Clara Lima, 36 anos, ou Júlia. O homem, conhecido como “Coruja”, tem 51 anos e está foragido.

As câmeras flagraram o momento em que ele corre com uma faca na mão. Em outras, aparece o carro de Ana Clara estacionado em frente a um prédio na W3, altura da 509. Após ser ferida, a travesti ainda buscou socorro no Hospital de Base do DF (HBDF), mas não resistiu aos ferimentos.

A transexual teria sido atacada no intervalo em que quatro travestis deixaram o veículo da amiga e que voltaram ao local. Júlia morreu dentro do próprio carro, antes de chegar ao hospital.

De acordo com a Polícia Militar, outra travesti foi ferida com um corte no braço, mas passa bem. O homicídio e a tentativa de assassinato, segundo informações da corporação, teriam ocorrido após as vítimas terem sido vítimas de um assalto.

Policiais militares do Gtop 23 faziam ronda na 706 quando foram abordados por quatro travestis pedindo socorro. De acordo com elas, o autor teria esfaqueado as duas vítimas após elas reagirem a um roubo.

O assassinato de Ana Clara Lima, mais conhecida como Júlia, repercutiu entre garotas de programa que trabalham na Asa Norte. Uma garota de programa, que preferiu não se identificar, contou à reportagem que muitos homens vão ao local especificamente para abordar travestis.

“O Coruja sempre estava por aqui, já era cliente conhecido. Ele era muito louco e drogado, só ficava com as trans, assim como muitos outros caras”, afirmou.

De acordo com ela, o movimento é muito grande na área. “A Júlia era uma das travestis mais corretas e finas daqui, e nunca se metia em confusão. É até estranho porque as transsexuais daqui não ficam na rua”, explicou.

A mulher diz que a maioria das travestis recebe os clientes com combinação fechada direta em sites específicos. “Só descem para a rua quando o movimento deles (sites) está fraco”, contou a mulher.

Requisitada

Ainda segundo a colega de trabalho, Júlia ganhava bem por meio de uma dessas páginas e era umas das travestis mais requisitadas do local. A mulher ainda conta que, em um ano que está na região, essa foi a primeira vez que ficou sabendo de um crime cometido.

“Particularmente, eu nunca fui roubada e também nunca vi tentativa de assalto. Toda hora tem polícia aqui na região. Tanto é que, na hora do crime, um estava fazendo ronda”, afirmou.

A garota de programa ainda chamou atenção para o fato de que, às vezes, há roubos entre travestis e clientes. “Já teve muitos casos de travestis que roubaram celular e outras coisas dos clientes, assim como eles também levam coisas delas. Mas a Júlia não era disso, ela era a mais correta”, explicou a mulher.

A Polícia Civil (PCDF) investiga o caso.

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