Vídeo: corpo é embalado em saco ao lado de pacientes em UTI do DF

Empregados do Hospital de Campanha de Santa Maria denunciaram a falta de protocolo com um paciente morto

atualizado 06/04/2021 16:39

Corpo em saco preto em UTI do DFImagem cedida ao Metrópoles

Funcionários do Hospital de Campanha de Santa Maria denunciaram a exposição de pacientes e o uso de sacolas de lixo para enrolar uma vítima da Covid-19 na unidade de terapia intensiva (UTI). De acordo com relatos e imagens, o corpo embalado em saco preto e fita crepe estava em uma maca ao lado de pessoas internadas.

A enfermeira que expôs a situação à reportagem desabafou: “Estão embalando óbitos com sacola de lixo por falta de invólucro. Pedi para filmar e denunciar. Desumana essa situação”, lamentou.

O drama ocorre na unidade de saúde administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica (Iges). O corpo estava na maca na noite de segunda-feira (5/4), no primeiro andar da UTI para pacientes com Covid-19.

De acordo com especialistas ouvidos pelo Metrópoles, o protocolo correto para embalar paciente que morreu em decorrência da Covid-19 deveria ser o invólucro específico para óbito, borrifado com hipoclorito de sódio. A má conduta pode contaminar quem vai manipular o corpo.

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF) informou à reportagem que vídeo mostra a UTI do 1º andar do Hospital de Campanha de Santa Maria, sob cuidado da empresa ASM, contratada pela SES-DF.

“Ressaltamos que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) conta com 254 invólucros para cadáver tamanho infantil e 295 adulto e 523 juvenil em estoque no HRSM. Além disso, todas as medidas para armazenamento de cadáveres são feitas de acordo com os protocolos”, disse em nota.

A Secretaria de Saúde foi acionada pelo Metrópoles, mas não tinha respondido até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto.

O que diz a empresa ASM

A Associação Saúde em Movimento (ASM) comentou o caso, por meio de nota enviada à reportagem. Confira, abaixo, a íntegra:

“A Instituição chegou à capital federal em Agosto/2020, com o papel de estabelecer seus serviços de gestão em saúde no combate da covid-19. Por conseguinte, a Instituição através de normativas legislacionais condicionadas pelos órgãos de saúde e vigilância sanitária, possui protocolos assistenciais, entre eles, o de manejo e preparo do corpo pós-morte na UTI-COVID.

A documentação incitada foi baseada nas orientações do Ministério da Saúde, disponível em www.saude.gov.br, e ANVISA na nota técnica 04, de 31/03/2020. Além disso, o documento está disponível internamente nas Unidades administradas pela ASM para toda equipe que se responsabiliza pelo manejo, reforçadas com orientações rotineiras pelas lideranças que pertencem ao fluxograma do processo.

Considerando o tempo de prestação de serviços voltado a essa logística, até o presente momento, jamais houve eventos adversos desta natureza ou que tenham inter-relação com o manejo do corpo pós-morte.

Entendemos que aconteceu um evento pontual, de falha de comunicação da equipe operacional, na qual, esclarecemos que todos os materiais e insumos necessários para prestação de assistência aos pacientes são disponibilizados em todas as Unidades vinculadas à Instituição, bem como para este procedimento. Deixamos claro que, estão sendo tomadas as medidas cabíveis quanto ao episódio, além de prestar todo o apoio psicológico aos nossos colaboradores e as famílias dos pacientes.

A ASM enquanto prestadora de serviços de saúde pública, se compromete com os resultados e entende que temos um papel fundamental na assistência à população, ficando a disposição da sociedade para quaisquer dúvidas e esclarecimentos”.

Ainda conforme a ASM, a entidade segue os seguintes procedimentos para manejo do corpo de vítimas da Covid-19:

Procedimentos para manejo do corpo de vítimas da Covid-19 by Metropoles on Scribd

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