Velório de Regiane é marcado por dor e revolta: “Um monstro fez isso”
O corpo da estudante foi encontrado na manhã dessa quinta (27/4), às margens do Rio São Bartolomeu, com sinais de golpes de faca
atualizado
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Familiares e amigos deram o último adeus à jovem Regiane da Silva Oliveira, de 21 anos, no cemitério de Planaltina (DF), durante a tarde desta sexta-feira (28/4). O corpo da estudante foi encontrado na manhã dessa quinta (27/4), às margens do Rio São Bartolomeu, com sinais de golpes de faca.
No sepultamento, iniciado às 16h30, familiares pediram justiça e, sob emoção, questionavam: “Por que, Senhor? Não deixa esse monstro sair de lá para fazer isso com outras famílias”.
De acordo com a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), através da 16ª DP (Planaltina), o suspeito, Sérgio Alves da Silva, de 43 anos, queria inicialmente roubar a bicicleta da vítima. Porém, aproveitou-se da situação e a estuprou. Depois de cometer o crime, com medo de ser denunciado, decidiu matar a jovem.
Primo da vítima, Jorismar da Silva comentou que o sentimento da família é de dor e revolta. “Nós nascemos, crescemos e um dia iremos morrer, mas não pela mão de uma pessoa tão má, de uma crueldade tão intensa como foi feita”, comentou o familiar.
O homem define que este é momento, de sepultar um ente querido, que ninguém quer passar por contrariar o sentindo da vida: “É muito doloroso. Muita dor pro pai, muita dor pra mãe. Não desejo para ninguém, para ninguém”.
Veja imagens do velório:
12 horas de terror
Regiane ficou por cerca de 12 horas sob a guarda do homem. Para os investigadores, por vários momentos, ela acreditou que seria liberta. Sérgio Alves acabou sendo preso no distrito de São Gabriel, em Planaltina de Goiás, no Entorno do DF. Tentando fugir, ele acabou roubando um celular, mas foi rendido pela Guarda Civil Municipal. O homem teria tentado se matar com uma faca durante a abordagem.
Posteriormente, foi levado a um hospital da região e confessou a autoria pelo assassinato e pelo estupro. Policiais da 16ª DP continuam investigando o caso para esclarecer todas as informações.
O delegado da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) Thiago Oliveira afirmou que o suspeito disse para a vítima que a liberaria após estuprá-la, caso ela fizesse o que ele pedia.
Regiane foi abordada por Sérgio em 17 de abril, por volta das 20h, quando ela voltava da aulo no Centro de Ensino Médio (CEM 1), conhecido como Centrão, em Planaltina. A todo momento, ela era ameaçada por uma faca. Segundo a PCDF, o homem matou a estudante por medo dela registrar ocorrência de estupro. Em 18 de abril, após matá-la, o suspeito enterrou o corpo, que ficou desaparecido por cerca de sete dias.
Homenagens
Colegas da escola de Regiane da Silva Oliveira fizeram uma manifestação na noite de ontem (27/4) pedindo justiça pela jovem. Regiane era matriculada no Educação de Jovens e Adultos (EJA) do CEM 1, no período da noite.
A comunidade escolar do centro inclui cerca de 2,3 mil estudantes na unidade de ensino. Boa parte dos estudantes se reuniram na passeata, iniciada as 19h desta quinta-feira, para homenagear a colega e cobrar justiça por parte das autoridades.
A diretora da unidade de ensino, Nedma Guimarães, 51, aponta que a sensação é de impotência diante da tragédia. “Estava conversando com algumas alunas e o sentimento delas é ‘podia ter sido comigo’ e ‘pode ser comigo’. É um sentimento de não saber como se prevenir”, afirma a educadora.
De acordo com Nedma, a estudante assassinada vai ser lembrada como “uma aluna participativa, tranquila e frequente”. Para a diretora, Regiane tinha um perfil comum dos alunos do EJA, que é a do jovem que estuda para mudar de vida.
A passeata tinha como foco “pedir uma investigação mais forte” do desaparecimento. “Queremos dizer para a Regiane, onde quer que ela esteja, que estamos aqui e sentimos muito por ela não estar mais”, diz.





























