Veja os 16 alvos da Operação Gotemburgo, que apura fraudes na Saúde do DF

As apurações se concentram em fraudes ocorridas entre os anos de 2009 e 2015 e alcançam os ex-secretários Rafael Barbosa e Elias Miziara

atualizado 10/09/2020 13:23

Valter Campanato/Agência Brasil

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), em parceria com a Polícia Civil do DF, cumpre, na manhã desta quinta-fera (10/9), 46 mandados de buscas contra 16 pessoas. Os alvos são suspeitos de participar de um esquema de corrupção para desviar dinheiro da Saúde. As medidas estão sendo cumpridas no DF, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Goiás.

Entre os investigados, estão os ex-secretários de Saúde do DF Elias Miziara e Rafael Barbosa, além do ex-subsecretário de Atenção à Saúde do governo Agnelo Ivan Castelli, que atuaram na gestão Agnelo Queiroz (PT). As apurações se concentram em fraudes ocorridas entre os anos de 2009 e 2015. O desvio passa de R$ 123 milhões.

Barbosa e Miziara (foto em destaque) foram denunciados pelo Gaeco em julho do ano passado, com mais 11 pessoas, por crimes de associação criminosa, peculato e fraude em licitação. Elas são acusadas de fraudes na Saúde, entre 2009 e 2014, em pelo menos seis contratos – que somam R$ 349,1 milhões. Eles chegaram a ser presos pela Operação Conteiner, deflagrada em abril do mesmo ano.

A operação desta quinta-feira tem como base dados de compartilhamento judicial de provas obtidas no âmbito dos processos relacionados à atuação da Força-Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

As provas teriam revelado um esquema criminoso que se estendeu até o Distrito Federal e a outras unidades da Federação, especialmente por meio da “venda” de atas de registro de preço cadastradas pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

Veja quem são os alvos da operação batizada de Gotemburgo, que faz uma alusão à cidade de mesmo nome, segunda maior da Suécia, onde fica localizada a sede do Grupo Getinge, do qual faz parte a Maquet, empresa que foi agraciada com a maioria dos contratos formalizados com a Secretaria de Saúde e é líder mundial na fabricação de camas cirúrgicas.

Rafael Barbosa
Roberto José Bittencourt
Ivan Castelli
Elias Fernando Miziara
José de Moraes Falcão
Flavio Rogério da Matta
Daniel Veras de Melo
Renato Lyrio de Mello
Edcler Carvalho Silva
Miguel Iskin
Guatavo Estelitta
Gaetano Signorini
Marcia de Andrade Oliveira Cunha Travassos
Andreia Estelita Perne
Claudio Albuquerque Haidamus
Mariana Estelita

Um dos alvos da operação deflagrada nesta quinta, Miguel Iskin é um empresário que atua no ramo de produtos hospitalares e já havia sido preso anteriormente em operações da Polícia Federal. Ele foi denunciado sete vezes pela Força-Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro por fraudes junto à Secretaria de Saúde.

Em duas das denúncias, foi condenado a mais de 47 anos e 4 meses de reclusão. Há ainda uma oitava ação penal em curso na qual ele é réu a partir do compartilhamento de provas do MPF com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

 

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