Universitárias da UnB criam projeto para ajudar alunas que têm filhos

Proposta da Rede Voluntária de Apoio Infantil é que estudantes da instituição cuidem das crianças de colegas durante aulas

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atualizado 19/03/2019 13:30

Sororidade – termo que significa a união de mulheres com base na empatia e no companheirismo – é a palavra que marca o início do ano letivo de um grupo de alunas da Universidade de Brasília (UnB). Matriculadas no curso de psicologia, elas se mobilizaram para começar a Rede Voluntária de Apoio Infantil (VOA), para ajudar universitárias que são mães e não têm com quem deixar as crianças. A ideia é que as estudantes cuidem dos filhos umas das outras, em um espaço recreativo durante o período de aulas, o qual começou na última quarta-feira (13/3).

Amanda Regis de Moura, 22 anos, e Kelly Regina de Carvalho (foto em destaque), 35, são alunas da psicologia e criadoras da iniciativa. Amanda está no nono semestre e, apesar de não ter filhos, está à frente do projeto. Kelly cursa cursa o sexto período e é mãe de Paolla de Carvalho Oliveira, 4. “É muito difícil estudar tendo filhos, porque a gente se torna muito dependente dos outros”, ressalta. Com o trabalho, ela espera auxiliar outras mães da UnB.

“É um projeto ainda em fase inicial, mas que está sendo organizado com muito carinho”, diz Kelly. Ela conta que postou a iniciativa em um grupo da UnB no Facebook, explicando a proposta, e a receptividade foi positiva. “Muitas mães e outras mulheres querendo ser voluntárias desse projeto entraram em contato.”

Material cedido ao Metrópoles
Kelly cursa psicologia e é mãe da pequena Paolla, de 4 anos

 

Laura Corrêa, 18, aluna de psicologia, é uma das mulheres que quis ajudar. Ela viu a publicação de Kelly no Facebook e, apesar de não ser mãe, engajou-se na iniciativa. “Nunca tinha parado para pensar em quais demandas as mães estudantes tinham. Eu me senti tocada pela parceria e quis ajudar”, conta Laura.

Segundo a organizadora, o projeto conta hoje com 47 participantes. “Fizemos dois formulários: um para as mães preencherem, para conhecermos um pouco das características dos filhos; e outro para conhecermos os cuidadores. Um voluntário está fazendo o cruzamento desses dados”, explica Kelly.

Como funciona
Um grupo de mulheres fica em uma sala, cuidando das crianças e fazendo brincadeiras, enquanto as mães assistem às aulas. “Cada voluntária precisa dispor de duas horas, no mínimo, para cuidar do filho de outra mãe. O objetivo é que a gente preencha toda a grade horária”, afirma a coordenadora da iniciativa. 

As alunas tentam negociar a disponibilização de um espaço fixo na UnB. Além disso, os participantes estão recebendo doações de objetos, como itens de fraldário e piso emborrachado. Ventilação adequada, isolamento acústico, tomadas bem-distribuídas, câmeras de segurança e espaço para aleitamento materno também são demandas que as estudantes pretendem conseguir ao longo do semestre.

Na última terça-feira (12/3), o grupo fez um piquenique para que os participantes conhecessem uns aos outros. Na ocasião, as mães puderam encontrar os filhos de outras alunas. “Estou muito feliz, porque não sabia que tanta gente ia se engajar nesse projeto”, afirma Kelly.

Material cedido ao Metrópoles
As participantes do projeto se reuniram na terça-feira da semana passada (12/3)

 

O projeto também será positivo para Egly Meyer, 31 anos, mãe de Maria Vitória, 2. Egly é estudante de especialização em políticas públicas, infância, juventude e diversidade do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da UnB.

A universitária conta que sente falta de apoio do Estado para mães, tanto no mercado de trabalho quanto na vida acadêmica. “Muitas, que inclusive são ‘mães solo’, não têm acesso às vagas nas creches e maternais públicos para acolher seus filhos, não possuem condições financeiras para contar com suporte privado e não contam com rede de apoio nas demandas do cotidiano. Como garantir a permanência dessas mães na universidade?”, questiona Egly.

Outras ações
Ao Metrópoles, a UnB afirmou oferecer auxílio-creche de R$ 485 mensais para mães com filhos de até 5 anos. Neste semestre, serão disponibilizados 10 benefícios. Para concorrer, os estudantes devem acessar o edital do programa. Hoje, 30 já recebem a ajuda.

Além disso, a Faculdade de Educação da UnB conta com uma sala de acolhimento para estudantes e crianças da instituição. De acordo com a universidade, o local tem brinquedos, livros, computador, micro-ondas, refrigerador e fraldário. Para utilizá-lo, basta fazer cadastro no site da UnB.

Saiba como ajudar
Interessados em fazer doações ao grupo podem entrar em contato pela página Rede VOA UnB, no Facebook, ou pelo perfil @redevoaunb no Instagram. Além disso, é possível contatar uma das organizadoras, Kelly, por meio do telefone (61) 98172-6407.

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