Ultrapassagem perigosa acaba com menina de 2 anos morta no Entorno
A criança ficou 6 dias internada; laudo preliminar da PRF mostra que não houve tentativa de frenagem na ultrapassagem feita pela direita
atualizado
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Uma ultrapassagem em alta velocidade, feita pela faixa da direita da BR-070, terminou em tragédia para uma família do Distrito Federal. A pequena Maitê Misquita, de 2 anos, estava no banco de trás de um dos veículos envolvidos na tragédia e morreu, nessa quarta-feira (6/5).
O acidente aconteceu em 30 de abril, em Águas Lindas de Goiás. A criança – que seguia viagem devidamente afivelada na cadeirinha, no banco de trás – estava junto à mãe, a empresária Camila Misquita, 32, quando o carro onde elas estavam foi violentamente atingido por outro veículo.
A família retornava de Águas Lindas (GO) para Brasília, após resolver questões relacionadas à transferência de um veículo. No carro estavam o avô paterno da menina, que dirigia, o tio de Camila no banco do passageiro e Maitê, ao lado da mãe, no banco de trás.
Laudos indicam direção perigosa
Segundo o laudo preliminar da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista responsável pela colisão não manteve distância de segurança e sequer teria tentado frear o carro antes do impacto.
“Passamos a barreira de 60 km/h e o carro apagou. Meu tio falou paro meu sogro ir para faixa da direita [destinada a veículos de menor velocidade, pesados ou que não estão realizando ultrapassagens] para resolvermos o problema. Ele tentou ligar o carro novamente e, quando o pisca-alerta já ia ser ligado, sentimos a batida. Não deu tempo de nada”, relembrou Camila.
Estado de saúde e cuidados com a criança
Logo após o impacto, e empresária viu a filha desacordada. “Quando consegui recuperar o fôlego, já vi ela desfalecida, com o corpinho para frente e a boquinha ficando roxa. Levantei o rostinho dela junto com uns rapazes que estavam tentando me acalmar, e aí a cor da boquinha voltou”.
A mãe afirmou que o socorro chegou rapidamente ao local. Maitê foi levada inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Águas Lindas, onde foi intubada. Devido à gravidade do quadro, a criança foi transferida de helicóptero pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) para o Hospital de Base. Veja o momento do transporte:
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Ainda na UPA, Camila afirmou ter conversado com o motorista envolvido no acidente. “Perguntei o que tinha acontecido, porque achei que ele estivesse no celular. Mas ele disse que estava atrás de um caminhão, tentou ultrapassar pela direita e se deparou com o carro parado. A PRF disse, depois, que nem marca de freio teve”, detalha.
A criança permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base por quase uma semana. De acordo com a mãe, familiares, amigos e pessoas de diferentes estados acompanharam o caso em correntes de oração que mobilizaram centenas de pessoas, inclusive em um grupo de WhatsApp, com quase 500 integrantes.
“Maitê teve pessoas orando por ela até fora do Brasil. O quanto a vida dela alcançou pessoas foi muito forte”, afirmou.
Camila relatou o acolhimento recebido durante os dias de internação: “Todos os médicos, enfermeiros e técnicos fizeram de tudo por ela. Fomos acolhidos e ouvidos”.
Quase uma semana de internação
Na terça-feira (5/5), a equipe médica iniciou o protocolo de morte encefálica. Segundo a mãe, um dos exames chegou a apresentar resultado inconclusivo, o que renovou a esperança da família. Na frente do hospital, parentes e amigos organizaram uma corrente de oração.
“Continuamos em espírito de oração o tempo todo. O exame complementar foi feito na quarta-feira (6/5) à tarde, quando constataram a morte cerebral”.
Mesmo diante da perda, os pais autorizaram a doação dos órgãos da menina: “Sei que a vidinha da minha filha foi muito especial. Poder ajudar outras crianças deixa meu coração feliz e grato a Deus”, disse Camila.
A família, agora, aguarda os procedimentos necessários para a liberação do corpo e realização do sepultamento, previsto para ocorrer nos próximos dias. Segundo relatos de familiares, reforçados pelo laudo, este não seria o primeiro acidente por excesso de velocidade provocado pelo envolvido na colisão. O Metrópoles tentou contato com o motorista, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O caso foi registrado na 24ª DP, em Ceilândia, e deve seguir sob investigação.














