Tubarões do Cerrado disputa semi da liga nacional no Mané Garrincha

O time brasiliense vem de temporada invicta e já faturou o título de campeão do Centro-Oeste

atualizado 25/11/2018 19:48

Hugo Barreto/Metrópoles

No último domingo (18/11),o Tubarões do Cerrado realizou um feito inédito para o futebol americano do Distrito Federal. O time brasiliense consagrou a temporada com a conquista do título da Conferência Centro-Oeste do Campeonato Brasileiro de Futebol Americano (BFA).

Campeões invictos, os atletas venceram as oito partidas disputadas pelo campeonato e foram considerados pela liga desportiva a melhor defesa do Brasil e o segundo melhor ataque. “Nós temos a filosofia de jogar até o fim. Não importa o placar, não importa o que esteja acontecendo no jogo. Isso fez uma diferença incrível nas partidas, tanto que nós quebramos três vezes o nosso próprio recorde de pontuação”, salienta o técnico Fabrício Ataíde, de 31 anos.

0

Esta é a primeira vez que o troféu do BFA fica na capital federal. Agora, os jogadores alçam voos mais altos e sonham com a conquista, também, do nacional. A semifinal acontece no próximo domingo (2/12), no Estádio Nacional Mané Garrincha (Eixo Monumental), contra um dos times de maior tradição do país, o João Pessoa Espectros – bicampeão brasileiro e nove vezes campeão regional.

“Nós sabemos que será um jogo complicado, principalmente por ser um time extremamente credenciado. Somos os azarões, mas acreditamos na possibilidade da vitória e estamos treinando pesado. Basta usarmos nossa fórmula vitoriosa”, considera o técnico, em entrevista ao Metrópoles.

Hugo Barreto/Metrópoles
O técnico Fabrício Ataíde comemora a boa fase do time

 

Fabrício Ataíde se apaixonou pelo esporte aos 17 anos, e, desde então, não abandonou mais a modalidade. O bancário, de 31 anos, participou da criação do Tubarões, em 2004, foi jogador, passou pela direção do time, até chegar ao atual posto de técnico, ocupado desde 2016.

“É impressionante o patamar que o grupo chegou se levarmos em conta o pouco patrocínio e a falta de estrutura, principalmente no início. Nos esforçamos muito, mas sempre cientes do potencial e de que chegaríamos até aqui”, lembra.

“É um trabalho de formiguinha popularizar o futebol americano no Brasil”, salienta o técnico do Tubarões do Cerrado, time com público médio de 400 pessoas por partida. Ataíde explica que o desafio atualmente é tirar os fãs de frente da TV e trazê-los para o campo.

A opinião do treinador é embasada pelos dados fornecidos pela ESPN, emissora responsável no Brasil por transmitir ao vivo todos os jogos da temporada de NFL. De acordo com a pesquisa, a audiência dos jogos da liga nacional cresceu 75% desde 2014.

Hugo Barreto/Metrópoles
Robson Daniel, 37 anos, está passado o gosto pelo esporte aos filhos

 

Sargento do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, Robson Daniel tem 37 anos e há 5 anos pratica o esporte. O linha defensiva do Tubarões do Cerrado conta ser interessado pelo futebol americano desde a infância. Em 2010, o servidor público passou a acompanhar a liga nacional norte-americana pela TV e o desejo de jogar aumentou. “Descobri que poderia participar de seletivas  e me arrisquei. Hoje o futebol americano é uma religião para mim”, garante Robson.

Para Robson Daniel as pessoas subestimam os jogadores. “É necessário muito empenho. Nós dedicamos muito tempo aos treinos, à dieta e, sobretudo, aos estudos. Muitas pessoas dizem que o futebol americano é um esporte violento, mas ele é muito psicológico. É o xadrez dos brutos”, ressalta.

Casado e pai de três filhos, Robson passa o amor pelo Tubarões para os filhos. “Dividimos nosso tempo entre trabalho, casa, filhos e futebol americano, que acaba ocupando grande parte das nossas vidas, mas não nos arrependemos. Estamos aqui por amor, pois não ganhamos nada de dinheiro”, completa.

Robson considera a vitória na Conferência Centro-Oeste muito mais que a realização de um sonho pessoa ou do grupo, mas um marco para a consolidação do futebol americano no DF. ” As vitórias são fundamentais para atrair público. Os brasilienses são carentes de grandes atrações esportivas locais, e nós estamos dispostos a preencher esse vazio”.

Hugo Barreto/ Metrópoles
Evandson Nunes e o irmão gêmeo , Evander, viajam de Goiânia a Brasília para jogar futebol americano

 

Os irmãos gêmeos Evandson e Evander Nunes, 28 anos, percorrem 400 quilômetros toda semana para treinar futebol americano em Brasília. Os jogadores aceitaram o convite para compor o grupo brasiliense após o Rednecks, time de Goiânia, encerrar as atividades. “Recebemos propostas de vários times do Brasil, mas consideramos o Tubarões o mais competitivo”, pondera Evandson.

O Tubarões tem uma base sólida. Estando aqui, temos certeza que vamos chegar ao topo

Evandson Nunes

Últimas notícias