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Estudo publicado pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) indica que as faixas exclusivas da W3 Sul foram mal planejadas. De acordo com a análise, elaborada pela pesquisadora e engenheira Mônica Soares Velloso, elas seriam mais eficazes se estivessem no lado esquerdo da via.

Segundo o estudo, como a W3 Sul tem muitos sinais, cruzamentos e paradas de ônibus, os veículos demoram para percorrer os 13km de extensão da avenida (considerando os dois sentidos, são 26km). A existência da faixa exclusiva à direita dos motoristas torna a viagem ainda mais lenta, no entendimento da pesquisadora.

O trabalho de Mônica Soares Velloso foi realizado entre 2015 e 2016, com o auxílio de um software especializado em cálculos de trânsito. Em uma das simulações produzidas, além de trocar a faixa exclusiva para a esquerda, a pesquisadora instalou na via paradas de ônibus com baias grandes, para quatro carros, o que melhoraria o fluxo dos coletivos, evitando congestionamentos dos ônibus no local.

Atualmente, cada vez que um ônibus passa por um dos cruzamentos da W3, ele perde 13 segundos em seu tempo de viagem. Com as alterações propostas, esse intervalo cairia para 10 segundos. O cálculo foi feito no cruzamento da 504/505 Sul e contou com 30 pontos de observação do tráfego ao longo da via. A avenida tem pelo menos oito cruzamentos desse tipo.

 

Em 2012, quando a faixa da EPNB foi instalada, o Departamento de Transporte Urbano do DF (DFTrans) fez uma previsão de que o tempo de viagem entre o Recanto das Emas e a Rodoviária do Plano Piloto seria reduzido em 10 minutos. Ainda de acordo com dados publicados no site do órgão, antes realizada em 1h5min, a viagem de ônibus entre os dois pontos passou a ser feita em 55 minutos, em média, após a inauguração da faixa exclusiva. A redução representa uma economia de 15% no tempo total do percurso.

Questionado pelo Metrópoles sobre a eficiência das faixas exclusivas e sua instalação à direita das vias, o DFTrans enviou dados de economia no tempo de viagem nos pontos onde elas foram instaladas, todas a partir de 2012. Segundo o órgão, na EPTG, a contenção seria de 20 minutos e nas W3s Sul e Norte, 15 minutos cada. Já no Setor Policial, o tempo estimado é de 5 minutos. 

Carros não passam
Em 22 de agosto deste ano, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) suspendeu liminarmente a Lei Distrital nº 5.751/2016, de autoria da deputada Celina Leão (PPS), que permitia o trânsito de veículos comuns nas faixas exclusivas de ônibus fora dos horários de pico. A decisão liminar atendeu a um pedido do GDF.

De acordo com a assessoria da Câmara Legislativa, a Casa estuda entrar com um recurso chamado amicus curiae, instrumento por meio do qual uma entidade que não está no processo judicial se oferece para prestar informações sobre o tema. O TJDFT ainda não tem data marcada para o julgamento do mérito da ação.

 

 

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