Leonardo da Silva Oliveira, 30 anos, candidato que passou mal e morreu após teste físico de concurso da Polícia Militar do DF, estava treinando desde julho para o exame. O Metrópoles conversou com o professor de educação física Raphael Matias, que acompanhava o servidor do Ministério da Saúde desde o início dos treinos.

“Ele estava apto aos testes. Aparentemente, tinha uma saúde perfeita, uma saúde de ferro. Acredito que o acontecido foi uma fatalidade. Todo o grupo está muito triste”, lamentou.

De acordo com o treinador, Leonardo procurou a equipe no mês de julho, com três meses de antecedência da data prevista do Teste de Aptidão Física (TAF). Eles iniciaram um grupo com outros candidatos ao cargo de soldado e faziam os treinos no Parque da Cidade, entre 18h30 e 19h30, três vezes por semana.

Material cedido ao Metrópoles

Na foto, Leonardo aparece sorridente ao lado dos colegas de treino. Ele é o segundo da esquerda para a direita

“Me lembro que ele não conseguia bater as metas de corrida e barra, por isso ficava um pouco preocupado. Cerca de 30 dias depois, evoluiu bastante e concluía tudo com sucesso. Também fazia acompanhamento com nutricionista e simulados do próprio TAF”, pontuou o professor.

Raphael acrescentou, ainda, que no último simulado Leonardo completou todas as etapas do teste físico sem nenhuma intercorrência.

 

Parada cardíaca
Leonardo tentava concluir a prova de corrida, na quarta (19/9), quando caiu e foi socorrido. O candidato chegou a ser levado ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mas não resistiu e faleceu na madrugada desta quinta (20), na unidade de saúde Santa Marta, para onde havia sido transferido pela família.

Candidatos que participavam da prova afirmaram que Leonardo passou mal durante a quinta volta. Ele caiu no chão e deu um grito de dor. De acordo com testemunhas, o rapaz teria sido retirado da pista em uma cadeira de rodas, desfalecido e pálido. Uma equipe começou a fazer massagens cardíacas na vítima.

Vídeo que mostra os primeiros socorros prestados ao homem circula nas redes sociais. Confira:

 

Ricardo Oliveira, 37, comerciante e irmão de Leonardo, criticou a avaliação do certame. Muito abalado, disse que o irmão tinha boa saúde, era ativo e sonhava em ser policial. “Ele não foi o primeiro a morrer num TAF. O teste é muito fora de proporção”, afirmou. Conforme ressaltou, a PM precisa de pessoas humanas no cargo, e não de brutamontes para trabalhar: “Não precisam de gente bruta, mas profissional”.

Como funciona
Após a aprovação na prova escrita, os candidatos precisam passar pelo TAF. Os testes físicos previstos no edital da PMDF servem apenas para eliminar pessoas que não cumprirem com o desempenho mínimo exigido. Basta ser considerado apto e o candidato poderá seguir adiante no processo seletivo da Polícia Militar.

As provas do teste de aptidão física são as seguintes:
– Teste em barra fixa
– Teste de flexão abdominal (tipo remador)
– Teste de corrida de 12 minutos
– Teste de natação de 50 metros

“Vontade de Deus”
Abalado, o pai de Leonardo, Osmiro Furtado de Oliveira, 67, conversou com a reportagem. De acordo com o funcionário público aposentado, o filho fez vários exames e passou por avaliação médica antes do TAF.

No entanto, o pai afirmou que sempre foi contra o filho fazer a prova física. “Ele era um rapaz saudável, não tinha nenhum problema de saúde. Mas, desde criança, a gente já via que o preparo físico dele não era tão bom”, destacou.

Osmiro, no entanto, trata o caso como fatalidade. “Meu filho era muito feliz. Passou por todos os exames médicos. Só pode ter sido vontade de Deus. Não tem outra explicação”, desabafou, emocionado. Conforme relato do aposentado, o rapaz tirou uma semana de férias para fazer a prova e acabou morrendo.

O outro lado
Em nota, o Iades, responsável pelo certame, afirmou que aguarda informações acerca da causa da morte de Leonardo. “Esclarecemos que, para a realização dos testes de aptidão física, todos os candidatos são obrigados a apresentar atestado médico que comprovem estarem aptos para a realização dos exercícios específicos para o concurso público”, destacou no texto.

Com base em informações da banca examinadora, ao passar mal durante a corrida, o candidato foi “prontamente atendido por equipe médica emergencial, provida de ambulância tipo UTI móvel que acompanha a realização da etapa, e removido para o hospital da rede pública mais próximo do local, em Taguatinga”.

Ainda de acordo com a organizadora, os testes de aptidão física do concurso público da PMDF visam avaliar a capacidade do candidato para suportar, física e organicamente, as exigências da prática de atividades físicas a que será submetido durante o Curso de Formação de Praças, bem como o desempenho das tarefas policiais. As provas, segundo o Iades, não estão sendo aplicadas entre 11h e 15h.

A Polícia Militar também se manifestou por nota. A corporação lamentou o ocorrido. Informou que, após apresentar atestado médico específico para o certame, o candidato foi examinado em testes de flexão abdominal e barra fixa, nos quais foi considerado apto. Em seguida, iniciou o teste de corrida, quando se sentiu mal e não conseguiu finalizar a avaliação, caindo na pista.

“A partir deste momento, o socorrista aferiu que o candidato estava com ausência de pulso e iniciou o RCP. Toda a equipe médica disponível, que consiste em enfermeiros, socorristas e médico, prestaram atendimento ao candidato, prosseguindo com o RCP e oxigenação. O candidato foi removido para o Hospital Regional de Taguatinga, estabelecimento mais perto do local de aplicação da avaliação, e por volta de 17h43 foi admitido na emergência deste hospital. A família informou à banca examinadora Iades que Leonardo faleceu às 2h40 do dia 20/9/2018”, diz trecho do comunicado da PMDF.