Autoescolas marcam protesto contra declaração de Bolsonaro sobre CNH

Presidente da República defendeu o fim das aulas práticas para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação

Autoescola On-line/ReproduçãoAutoescola On-line/Reprodução

atualizado 01/08/2019 20:03

O Sindicato dos Proprietários de Autoescolas do Distrito Federal (Sindauto-DF) marcou uma manifestação no dia 20 de agosto com o objetivo de protestar contra a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que “não deveria ter aulas práticas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação”. A previsão é de que 400 veículos utilizados na formação de alunos, dirigidos por instrutores, participem da carreata na Esplanada dos Ministérios, marcada para ocorrer das 5h às 14h.

No dia 26 de julho, com a intenção de defender o fim das aulas de formação de condutores, Bolsonaro exemplificou como aprendeu a dirigir. “Eu, com 10 anos de idade, aprendi a dirigir trator na fazenda em Eldorado Paulista. Acho que nem devia ter exame de nada. Parte escrita apenas e praticar logo. Não tem de cursar autoescola, ter aula de um monte de coisa que já sabe o que vai acontecer. Então, deveria ter uma prova prática e uma prova escrita ali. Seria o suficiente para tirar a CNH“, opinou o mandatário do país, em live transmitida pelas redes sociais.

O chefe do Executivo nacional também defendeu o fim dos simuladores como forma de reduzir o preço da emissão do documento. “É um absurdo gastar quase R$ 2 mil para uma carteira de motorista”, criticou.

Desemprego

O Brasil tem, atualmente, cerca de 14 mil escolas de condutores. Elas geram 120 mil empregos diretos. Nas palavras do presidente do Sindauto-DF, Francisco Joaquim Loiola, se a intenção de Bolsonaro for posta em prática, as consequências vão além do desemprego. “Ele fez uma comparação muito chula. Utilizar como exemplo o fato de ele ter aprendido a dirigir um trator aos 10 anos só mostra que tem pouco zelo pela vida e não sabe traçar um paralelo. Porque comparar dirigir um trator na fazenda com o trânsito de uma capital não faz sentido nenhum”, critica Loiola.

Segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), cinco pessoas morrem a cada hora devido à violência no trânsito. Foram mais de 400 mil mortos nos últimos 10 anos e 1,6 milhão de pessoas feridas.

“Ele [Bolsonaro] está querendo liberar o porte de arma. Se conseguir aprovar mudança na emissão da CNH, vai conseguir, liberando a arma que mais mata no Brasil: os veículos”, opinou o dirigente do sindicato patronal.

Loiola também discorda da declaração de Bolsonaro de que uma CNH custa R$ 2 mil. “Para as autoescolas, fica apenas valor entre R$ 800 e R$ 900, incluindo as 45 aulas teóricas e 25 práticas. O resto é para taxas e exame médico.”

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