Renovação da fé: Via Sacra emociona 15 mil no Morro da Capelinha

A multidão se emocionou durante as cinco horas de evento, sobretudo no ápice da encenação, que trouxe a ressurreição de Cristo

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 20/04/2019 8:30

A Via Sacra de Planaltina reuniu cerca de 15 mil pessoas no Morro da Capelinha. O evento começou às 16h35 desta sexta-feira (19/04/19) com 1,4 mil voluntários em cena. Ao contrário das edições anteriores, a chuva deu trégua durante as quase cinco horas de evento. No fim da tarde, foram registrados alguns pingos, mas nada capaz de tirar o brilho da festa religiosa, que terminou às 21h10, com o ápice: a ressurreição de Jesus Cristo.

Uma oração precedeu a 46ª encenação da Paixão de Cristo. O momento foi conduzido na praça central pelo padre Sestino, da Paróquia Santa Rita. A organização recebeu R$ 1,4 milhão do Governo do Distrito Federal (GDF) para custear estrutura, iluminação, figurinos, banheiros químicos e brigadistas, além de mais de 40 toneladas de materiais e enfeites.

Muitos fiéis escolheram chegar cedo a fim de garantir um lugar privilegiado. Segundo estimativas da Polícia Militar (PMDF), somente entre 6h30 e 10h30, cerca de 1,5 mil pessoas já estavam no local.

Uma delas era a autônoma Luciana Gomes, 34 anos, que caminhou cerca de 30 minutos com os filhos Gustavo Gomes, 7, e Sara Gomes, 17, para chegar ao morro. A família mora em Planaltina e conta que há sete anos acompanha a encenação, a qual considera costume de fé. “Aqui não se juntam apenas pessoas, mas o amor a Deus”, disse. “É emocionante”, completou Sara.

Por volta das 19h30, um dos momentos mais marcantes e emocionantes: a crucificação e a morte de Jesus. Um show de sons, fumaça, luzes e cores deram realismo à cena, no alto da Praça do Calvário.

Às 21h10, o ápice: a ressurreição de Cristo, que surgiu no céu seguido de cantos de aleluia e fogos de artifício. Para o efeito da ascensão, o ator foi elevado com a ajuda de cabos de aço. O ato levou o público ao delírio.

Surpresa
Nesta edição, os organizadores prepararam uma surpresa na cena reservada para homenagear as paróquias de Planaltina. O apóstolo Pedro citou cada uma das unidades representadas, no Morro da Capelinha, pelas figuras que lhes dão nomes. Um vídeo sobre caridade, doação e amor foi transmitido no telão.

Promessas
Moradora de Planaltina de Goiás, Eva José de Carvalho, 41 anos, subiu o Morro da Capelinha descalça. Eva revela que este é o 15º ano em que ela faz o trajeto sem nada entre os pés e o chão. “É uma promessa para mais paz, união e proteção para a natureza”, contou.

Agora, Eva incentiva as filhas Maria de Carvalho, 19, e Gracilene de Carvalho, 16, a fazerem o mesmo. (Veja na imagem abaixo):

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Família sobe o Morro da Capelinha descalça

Gracilene estava vestida de traje azul, representando o sagrado coração de Maria, mãe de Jesus. Maria estava de branco, em uma demonstração da pureza da ressurreição de Cristo. Ambas estavam acompanhadas dos filhos João Batista, 7 meses, e Carlos Abraão, 3 anos, respectivamente. Eva também levou outro filho: Sebastião, 2 anos.

Para o motorista Alberto Oliveira, 49 anos, a Via Crucis representa não somente a crueldade das pessoas da época com Jesus, mas o que Cristo passou em um tempo no qual fez o bem para o povo. “Todo mundo deve seguir o exemplo Dele”, sugeriu.

Veja a movimentação do público instantes antes do início da encenação da Paixão de Cristo:

Banquinhos
Wallace Kennedy, 9, e o primo Luan Silva, 8, levaram banquinhos para acompanhar a Paixão de Cristo sem cansar. As crianças foram acompanhadas dos pais de Wallace: o autônomo Edilson Brito, 49, e a gerente de produção Lusilene Brito, que completa 39 anos neste sábado (20/04/19).

“Estou comemorando desde hoje. A encenação é linda. Vale a pena vir”, assinalou Lusilene. “Temos de aproveitar a oportunidade que está na nossa cidade. Quando Wallace era pequeno, a gente vinha e eu ficava com ele no ombro”, lembrou Edilson.

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Atendimentos
O sol escaldante castigou quem decidiu subir o morro entre o fim da manhã e o início da tarde. Segundo o Corpo de Bombeiros, até as 14h, pelo menos seis pessoas precisaram ser atendidas por se sentirem mal. Somente uma jovem, que entrou em convulsão, teve de ser levada ao Hospital Regional de Planaltina (HRP).

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima que o céu do Distrito Federal ficará de parcialmente nublado a nublado, com possibilidade de pancadas de chuvas isoladas no fim da tarde. A temperatura oscila entre 28 e 30 graus e a umidade, entre 50% e 55%, podendo aumentar com as chuvas.

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Efetivo policial
Para garantir a segurança da encenação, a Polícia Militar mobilizou um efetivo de 300 praças e oficiais. Além disso, a corporação destacou 40 carros e 40 motocicletas. Poucas ocorrências foram registradas, entre elas a de um adolescente de 14 anos flagrado com três telefones celulares e carteiras furtados. O Corpo de Bombeiros manteve 110 militares de prontidão.

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Polícia Militar destacou 300 praças e oficiais para o Morro da Capelinha

Jesus
O advogado Marcelo Ramos, 31, representa há cinco anos Jesus Cristo. Antes de atuar no principal papel, chegou a ser um dos soldados responsáveis pela crucificação. “Quando estou atuando, me sinto como um instrumento de conversão. É como ler a Bíblia, cada um internaliza aquilo que precisa para o seu coração”, disse.

“A Via Sacra é uma obra de Deus que toca o coração das pessoas de uma forma inigualável. Por isso, ela é tão especial e dura tantos anos. É um espetáculo grandioso. Sempre fico feliz, principalmente quando termina, por que vejo que o trabalho teve resultado”, descreveu.

Organizadores falam em 60 mil
Coordenador de imprensa da Paixão de Cristo de Planaltina, Leonardo Magalhães estimou que a encenação contou com a presença de 60 mil a 80 mil pessoas, público aproximado do que foi registrado em 2018, quando 60 mil cidadãos assistiram à Via Sacra. A PM diz que foram 15 mil.

Leonardo comemorou por tudo ter ocorrido como o esperado. “O tema deste ano é: ‘Tú és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha igreja’. Com ele, conseguimos mostrar que a igreja que Cristo instituiu é a mesma de hoje”, assinalou.

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