Trabalhadores da construção civil do DF querem férias coletivas

Para sindicato que representa a categoria, operários nos canteiros de obra estão expostos coronavírus. Sinduscon é contra

atualizado 24/03/2020 19:43

Não incluso no decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB), o setor de construção civil, considerado essencial, não teve suas atividades afetadas por ocasião do combate ao coronavírus. Regiões como Guará, Águas Claras, Vicente Pires, entre outras, estão com obras sendo tocadas a todo vapor e preocupam trabalhadores e moradores.

Devido à pandemia, operários estão com medo de ficarem contaminados e têm reivindicado junto aos patrões e ao governo a suspensão das atividades do setor.

“As atividades deveriam ser suspensas por pelo menos 15 dias. Estamos em sistema de plantão no sindicato e os trabalhadores estão apavorados”, alerta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (Sticombe), Raimundo Salvador.

Para ele, o maior problema são as obras particulares. “São, fundamentalmente, elas que colocam a vida dos trabalhadores em risco. Lutamos para que tais canteiros parem, com exceção das emergenciais. Amanhã (terça-feira 24 de março), teremos uma reunião e vamos sugerir férias coletivas de pelo menos 15 dias para todos”, sugere Salvador.

Reclamações

Moradores de várias regiões também têm reclamado das obras durante o período de quarentena. Muitas delas ocorrem em áreas habitadas.

“Então, com essa quarentena, tem me incomodado muito o fato deles ainda estarem trabalhando. Não é um tipo de serviço que não ‘possa parar’. Eles [ operários] estão em risco também”, afirma Diego Humberto. Ele reclama ainda do barulho, especialmente aos finais de semana.

Sem risco

O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF) garante: as obras pela cidade não levam risco à população.

De acordo com o presidente do Sinduscon, Dionyzio Klavdianos, por característica do próprio trabalho, os operários usam luvas, máscaras e outros equipamentos de segurança que reduzem as chances de contato ou a transmissão do Covid-19, por exemplo.

Além do mais, a maior parte deles trabalha longe um dos outros, com distância maior do que 1,5m.

Atualmente, são 45 mil trabalhadores registrados na construção civil do DF. “Temos feito diversos alertas para nossos trabalhadores. Estamos divulgando um informativo, um manual e vídeos para informa-los. Também estamos orientando os empregadores para evitar as aglomerações nas obras, o que é raro. Na ida para o trabalho, estamos pedindo para que eles evitem o transporte público e prefiram a carona compartilhada”, detalha Klavdianos.

O presidente elenca ainda outras medidas para evitar a transmissão do coronavírus nas construções. Entre elas está o revezamento dos trabalhadores na hora do almoço.

“Para os maiores de 60 anos, pessoas com problema crônico de saúde e grávidas, pedimos que as empresas os mandem trabalhar de casa. Aquele cujo o trabalho não possa ser feito de casa, aconselhamos as empresas a darem férias, evitando os colocarem em risco”, completa o presidente.

Obras públicas

O secretário de Governo, José Humberto, afirmou que as obras públicas terão papel fundamental para a economia e para a retomada do desenvolvimento.

“Além de manter todos os canteiros em funcionamento, estamos lançando mais um pacote de obras, com investimento de mais de R$ 100 milhões. Tudo vai ser feito observando regras de segurança sanitária, mas não vamos parar. Nos próximos dias, vamos começar a fazer os primeiros canteiros das sete novas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] que vão ser entregues durante o ano”, afirmou o secretário de Governo.

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