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A Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) apresentou, nesta quinta-feira (14/6), detalhes da concessão do Autódromo Internacional Nelson Piquet à iniciativa privada. A praça esportiva, que está fechada desde 2014, é alvo de procedimento de manifestação de interesse (PMI) lançado em 31 de julho de 2017.

A grande novidade da proposta elaborada no estudo técnico é a alteração do traçado da pista, reduzindo-o de 5.475 metros para 4.695m. A intenção é modernizá-lo, adequando-o às provas atuais e abrindo mais trechos de ultrapassagens. Outra inovação é a liberação do terreno para operação imobiliária.

Nesta quinta, a Terracap realizou a audiência pública e ouviu sugestões de pilotos e profissionais do ramo automobilístico. A previsão é que a licitação ocorra em julho e o contrato seja assinado em outubro. Está aberta também a consulta pública para sugestões e questionamentos acerca do PMI do autódromo.

Os gastos iniciais com o empreendimento estão na ordem dos R$ 32,6 milhões e precisariam ser bancados pela iniciativa privada. O dinheiro seria destinado a reparos, drenagem da pista e equipamentos. Hoje, o local está abandonado e sem qualquer fiscalização e controle. A depender do investimento, parte das arquibancadas e até da pista podem ser aproveitadas no novo projeto, desde que reformadas.

Manutenção do drive-in e do kartódromo
Instalados no terreno que cerca o abandonado espaço de competições de automobilismo, o kartódromo e o Cine Drive-In seguem no projeto. O primeiro precisa de muitos reparos para receber homologações exigidas, enquanto o tradicional estabelecimento de exibição de filmes foi transformado em patrimônio cultural, e sua remoção poderia originar uma grande batalha jurídica entre a proprietária do cinema e os futuros administradores do autódromo.

Dentro do terreno, de aproximadamente 680 mil m², o autódromo encontra-se com um terço do traçado inacabado, áreas de escape obsoletas, arquibancadas, tribunas e demais espaços em condições precárias. Os boxes e o paddock foram demolidos. As permissões da praça esportiva estão vencidas.

A parceria público-privada permitirá também a exploração com estacionamento, lojas comerciais, restaurantes e museus automotivos, seguindo as normas e regras estabelecidas pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth).

Os usos industrial e residencial estão vetados. É justamente dessa operação imobiliária que sairá a participação da Terracap no negócio. A empresa ficará com 10% do lucro dessa atividade.

Além do PMI do autódromo, a Terracap trabalha com as concessões do Aeroporto Executivo de Brasília e da ArenaPlex, travada após ser suspensa pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

Apresentação do projeto do Autódromo by Metropoles on Scribd

 

Sonho com a Fórmula 1
Nos bastidores, a Terracap e operadores interessados em gerir o Autódromo Internacional Nelson Piquet acreditam que Brasília tem potencial para receber provas da Fórmula 1 a partir de 2021. Atualmente, o circuito de Interlagos, em São Paulo, é que abriga a etapa brasileira da competição.

O caminho, no entanto, é longo, uma vez que as exigências para a infraestrutura são grandes e tão difíceis de se cumprir quanto vencer o título da principal categoria de automobilismo. A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) concede as licenças de acordo com a estrutura do local, variando de 1 a 5, sendo 1 a maior e mais complexa.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), por sua vez, emite as permissões, que variam de grau 1 a 6, sendo 1 o maior e exigido para a Fórmula 1.

Em Brasília, a pista deverá ganhar a certificação internacional de nível 3, obtida no país apenas pelo circuito do Autódromo Velo Cittá, em Mogi Guaçu (SP), e Interlagos, que também possui grau 1. Com essa condição, por exemplo, será possível receber provas como a Fórmula Indy, que ficou a um passo de ser realizada na capital.

Processos na Justiça
Em novembro de 2015, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou ação penal contra o ex-presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) Nilson Martorelli e Maruska Lima de Souza Holanda, ex-chefe da Terracap, por supostas irregularidades na reforma do autódromo.

Os ex-gestores foram indiciados por crime contra a Lei de Licitações, com pena prevista de 2 a 4 anos de detenção, além de multa. Ambos também chegaram a ser presos durante a Operação Panatenaico, deflagrada em maio de 2017 pela Polícia Federal, por supostamente terem recebido propina de empreiteiras durante a reconstrução do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

O objetivo da reforma do Autódromo Nelson Piquet era receber a competição da Fórmula Indy. No entanto, com a investigação, o MPDFT constatou que o contrato firmado entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a empresa Basevi Construções S/A para manutenção das vias públicas da cidade foi estendido para revitalizar a pista do autódromo. Esse acréscimo desrespeitou a decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que suspendeu o edital destinado à contratação de empresas para a obra.

 

 

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