Tarado do Parque escolhia vítimas em locais de grande aglomeração, diz PCDF

Acusado tinha um modo semelhante de agir em todas as ocasiões e abordava pessoas que geralmente estavam buscando por sexo casual

atualizado 08/10/2020 7:12

Tarado do ParquePCDF/Divulgação

Preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (7/10), João Batista Alves Bispo, 41 anos, fez, ao menos, quatro vítimas no DF, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Ele dopava homens e, após o golpe conhecido como “Boa noite, Cinderela”, abusava sexualmente deles.

Segundo o delegado-chefe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Marcelo Portela, o acusado tinha um modo semelhante de agir em todas as ocasiões. “Ele ia para locais onde havia grande aglomeração de pessoas – que geralmente estavam buscando algum programa – e começava a conversar com as vítimas. Então, passava a ingerir bebidas alcoólicas na companhia dessas pessoas e conquistava a confiança delas”, detalhou.

Em seguida, ele dopava os homens colocando a medicação em suas bebidas. “Eram doses cavalares, tão altas que uma das vítimas veio a óbito. E havia sempre uma conotação sexual envolvida. Ele as convidava para um pretenso programa, aplicava a medicação e praticava os delitos”, reforçou.

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Histórico

As abordagens geralmente ocorriam no período noturno. De acordo com Portela, as investigações começaram após o crime que levou a morte de uma das vítimas, em janeiro deste ano. O homem, encontrada morto no dia 20 daquele mês, no Parque da Cidade, era morador da Asa Norte e tinha 30 anos.

Em relação a esse caso, o delegado ainda informou que o acusado confessou ter aplicado o “Boa noite, Cinderela” na bebida da vítima, “mas disse que não queria matar”.

Depois desse crime, ainda foram cometidos mais outros dois crimes semelhantes neste ano. Em maio, há indícios de o acusado ter estuprado um homem, além de roubá-lo, também no Parque da Cidade. A vítima chegou a ficar hospitalizada, com o maxilar fraturado.

“Como o crime era parecido com o de janeiro, chamamos a vítima para a delegacia, mostramos foto do suspeito do primeiro caso e ela não teve dúvidas em apontá-lo como o autor”, comentou o delegado.

Já em agosto, a vítima foi abordada nas imediações do Conjunto Nacional. “E o crime foi praticado de forma idêntica”, disse.

“As vítimas foram unânimes em dizer que ele apresentava uma verruga na testa. Quando identificamos, vimos que ele realmente tinha essa marca e as vítimas não tinham dúvidas de que ele foi o autor”, acrescentou o Portela.

Após identificar o suspeito de ter cometido o homicídio em janeiro, a polícia recuperou o histórico do homem e descobriu que ele já fora acusado de estupro de vulnerável cometido em Planaltina, em 2013. “Nessa época, ele também aplicou a medicação e violentou sexualmente a vítima. Mas acabou sendo absolvido ao final do processo”, contou.

Ao todo, portanto, a PCDF tem conhecimento de quatro casos. No entanto, o delegado acredita que o acusado possa ter feito mais vítimas. “Muitas vezes a pessoa fica envergonhada em procurar a delegacia. Estamos chamando as vítimas para que procurem a polícia, porque um crime hediondo como esse não pode ficar impune”, alertou.

A prisão

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu João Batista na manhã desta quarta-feira (7/10), em casa, em Planaltina, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela 5ª Vara Criminal de Brasília. De acordo com investigadores da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), após o estupro, o acusado ainda subtraía pertences dos homens, como celular, carteira e dinheiro.

Nas buscas realizadas na residência do acusado, os policiais encontraram três frascos de benzodiazepínicos (usados no “Boa noite, Cinderela”), além de dois celulares roubados. Os proprietários dos aparelhos serão intimados e, caso o autor também seja reconhecido nestes casos, será indiciado por mais dois crimes.

Ainda segundo a Polícia Civil, o acusado confessou parcialmente os crimes. Caso seja condenado por todos os delitos, ele poderá pegar pena de 30 anos de prisão.
Denuncie

Quem reconhecer João Batista como autor de outros crimes ocorridos no Distrito Federal pode denunciar o caso à Polícia Civil do DF, por meio do telefone 197. A identidade da vítima, ou do denunciante, é mantida em absoluto sigilo.

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