Sindicatos deixam Federação de Combustíveis e querem nova associação
Presidente do Sindicato do DF afirmou que o grupo está descontente com a atuação da federação e vai criar um novo grupo com sede no DF
atualizado
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O Sindicatos de empresas do ramo de combustíveis de 9 estados do Brasil, incluindo o Distrito Federal anunciaram desfiliação da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis).
O motivo, segundo Paulo Tavares, presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), seria a “falta de responsabilidade” da gestão da Fecombustíveis em decorrência do aumento do combustível.
Em conversa com o Metrópoles, Tavares afirmou que “o grupo está completamente decidido”
“Agora nós vamos partir para uma associação ou uma nova federação”, projetou o presidente do Sindicombustíveis-DF.
Para Paulo Tavares um dos pontos que justifica o desembarque do Sindicombustíveis da Fecombustíveis é a falta de compromisso da atual gestão de lidar com problemas no geral.
“Durante o mandato de quatro anos, várias pautas da Federação não foram cumpridas, encaminhadas ou resolvidas”, conta.
Além disso, Paulo criticou a falta de comprometimento do órgão em se manifestar e se posicionar em momentos de crise, deixando inclusive de dar informações corretas a jornais.
A saída dos sindicatos da federação está relacionada também uma discussão interna acerca da presidência da Federação. Segundo Tavares, a intenção dos sindicatos que desembarcaram da federação pretendem criar uma nova Federação com sede em Brasília.
Conforme Tavares, os sindicatos que desembarcam da federação representam 65% da revenda e 70% do volume de combustíveis
São eles:
- Bahia
- Minas Gerais
- São Paulo
- Santos
- Paraná
- Santa Catarina
- Rio Grande do Sul
- Mato Grosso
- Distrito Federal
Fecombustíveis
A Fecombustíveis foi fundada em 1960, e é formada por 34 sindicatos patronais junto com a Abragás, representando 40 mil postos de serviço e revendedores de combustíveis, lubrificantes e gás de cozinha.
A federação representa os interesses do setor junto ao governo e ao parlamento e também tem no escopo de ações estratégias de comunicação e acompanhamento de medidas regulatórias.
“As ações parlamentares e governamentais consistem em estabelecer canais permanentes de comunicação político-institucionais com os poderes Legislativo e Executivo nacionais e estaduais. Neste quesito, a Fecombustíveis se encarrega de munir políticos e técnicos do governo com informações precisas sobre o mercado de combustíveis para contribuir com o aperfeiçoamento da legislação. Este trabalho visa estimular o estabelecimento de um ambiente de negócios favorável ao desenvolvimento do comércio de combustíveis, um produto de extrema necessidade para o desenvolvimento econômico do país”, afirma a descrição da federeção publicada no site oficial.
Além disso, o órgão atua na denúncia prática concorrenciais irregulares, como fraudes, sonegação fiscal e adulteração de combustível.
Em nota, a Fecombustíveis informou que o pedido de desfiliação terá validade somente em 17 de abril de 2026.
“Há diferentes visões, com a existência de conflitos de opinião entre seus integrantes, principalmente no período eleitoral da Fecombustiveis, que acontecerá em 14 de maio. Trata-se de um processo que deve ser conduzido com diálogo, equilíbrio e responsabilidade. A Fecombustíveis é uma entidade com mais de 60 anos, que já passou por diferentes momentos de divergências; todos os impasses foram vencidos com união e respeito às diferenças de opinião, na construção de um caminho comum para o fortalecimento da revenda de combustíveis.”, afirma a nota da Federação enviada ao Metrópoles.
Investigação do Cade
Os sindicatos de combustíveis enfrentam uma investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que apura a conduta de sindicatos de combustíveis no Distrito Federal e em mais quatro estados Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica instaurou inquérito administrativo para investigar a atuação de dirigentes dos sindicatos de revendedores de combustíveis.
Segundo representação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, os dirigentes dos sindicatos realizaram declarações públicas que sinalizavam reajustes de preços, o que pode implicar no suposto aumento coordenado pelos revendedores de combustíveis.
Tavares nega que haja alinhamento de preços e afirmou que recebeu com tranquilidade a abertura de investigação. Para o dirigente, o inquérito pode contribuir para qualificar o debate e permitir a compreensão técnica do mercado.
