Sindicato denuncia “situação caótica” e pede interdição do HRG ao CRM-DF

Após reunião com OAB, SindMédicos elaborou documento mencionando déficit de profissionais de saúde e faltam condições para receber pacientes

atualizado 10/08/2021 1:32

HRGMaterial cedido ao Metrópoles / SindMédico

Diante de problemas que consideram graves, como o que chamam de “indícios de mortes evitáveis de pacientes” e o déficit de profissionais de saúde, o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) decidiu solicitar a interdição ética do Hospital Regional do Gama (HRG).

Após reunião com participação da secional do DF da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), a instituição enviou o pedido de interdição para o Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF), nesta segunda-feira (9/08).

“Ficou confirmada a situação caótica daquele hospital, inclusive com ocorrência de óbitos evitáveis”, alertou o presidente do SindMédico, Guttemberg Fialho.

Na avaliação da instituição, a situação do HRG é bem grave. Segundo o sindicato, médicos pediram exoneração em face da falta de condições do hospital.

Pelo diagnóstico da instituição, há risco de ocorrerem turnos de plantão sem clínicos ou emergencistas até mesmo para atuar nas salas vermelhas.

O SindMédico também recebeu imagens mostrando a situação crítica do HRG, ao longo das últimas semanas. A foto em destaque nesta reportagem é uma das enviadas ao sindicato como denúncia.

A instituição foi informada sobre pacientes que passaram cinco dias sem receber prescrição médica. A entidade também afirma que acompanhantes invadiram a sala vermelha revoltados, ameaçando fisicamente o médico de plantão e dizendo que iriam processá-lo.

Alerta

Em 3 de agosto, o próprio corpo clínico enviou um ofício com o alerta sobre o caos na unidade para a Secretaria de Saúde. O documento foi revelado pela Coluna Grande Angular.

Segundo o sindicato, não houve resposta efetiva da pasta. O documento destaca o déficit de pessoal e a falta de insumos, inclusive do risco de contaminação cruzada entre pacientes, além da superlotação.

Para tratamento durante a pandemia de Covid-19, a unidade recebeu 13 novos médicos recentemente. Mais da metade pediu exoneração, por não suportar ou tolerar as péssimas condições de trabalho.

Segundo o documento, a unidade deveria contar com pelo menos 10 médicos por turno, sendo sete para o pronto-socorro e três para os internados. As escalas atuais contam apenas com um a três médicos para todo o HRG.

Diante da falta de profissionais, foram montadas escalas com desvio de função, denuncia o sindicato. A sobrecarga de atribuições agravou inclusive o absenteísmo dos servidores.

Confira o documento na íntegra:

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Passo a passo da denúncia

O pedido de interdição será protocolado nesta terça-feira (10/08). Na sequência, o CRM deverá fazer uma vistoria no HRG. A partir do que for encontrado durante a inspeção é que o conselho aprovará ou não a solicitação.

O SindMédico também encaminhou denúncia para o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e para o Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF).

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde sobre a questão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Caso a pasta deseje se manifestar, as respostas serão inseridas nesta reportagem.

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