Sem solução, fila de pacientes que precisam de respiradores chega a 718

Segundo a Defensoria Pública, 118 pessoas esperam por aparelhos e 530 enfrentam a fila pelo acesso à oxigenioterapia domiciliar

atualizado 24/01/2023 11:41

Paciente - Metrópoles Material cedido ao Metrópoles

Pacientes com problemas respiratórios vem enfrentando problemas com a rede pública de Saúde do Distrito Federal. Atualmente, 718 pessoas esperam, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na fila de acesso para tratamento e equipamentos que as ajudariam a respirar. Em alguns casos graves, as pessoas correm o risco de morrer durante o sono.

Segundo a Defensoria Pública do DF (DPDF), 188 pacientes aguardam aparelhos de ventilação não invasiva denominados CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) e BiPAP (Bi-level Positive Airway Pressure). Os aparelhos são necessários para tratamento de apneia, doenças neuromusculares ou degenerativas.

Dona Geny da Luz Andrade (foto em destaque), de 79 anos, é moradora da Cidade Ocidental (GO), no Entorno do DF. Ela vive a aflição de não saber se acordara após cada noite. Diagnosticada com um quadro grave de apneia do sono desde setembro de 2022, ela precisa com urgência de acesso ao CPAP para poder dormir com segurança.

“Está muito difícil. Até mesmo porque a gente não tem o suporte do GDF. Ela precisa urgentemente usar esse aparelho. Ela corre risco de morte. A médica disse que a qualquer hora ela pode sofrer um AVC, ter um problema e não voltar”, contou a neta da paciente, a dona de casa Naiara Barreto Andrade, 35 anos.

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Os exames de polissonografia mostrou que a cada noite sono, dona Geny para de respirar diversas vezes por alguns segundos. O quadro causa danos seríssimos para a paciente. “Eu, como neta dela, tenho muito medo de qualquer hora chegar lá e ela não estar mais aqui. Ela não dorme direito”, revelou.

Pela falta de ar, dona Geny acorda assustada frequentemente. A cada susto ela fala para família que está sem sono. A paciente usa bombinha para ajudar na respiração. Mas é uma medida paliativa. Geny é pensionista e não tem condições financeiras para comprar o aparelho, orçado com valores entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.

Estoque zerado

A família solicitou um aparelho na Secretaria de Saúde no final de novembro de 2022. “Não tem o estoque está zerado no GDF. Nossa é muito ruim. A gente se sente impotente. Sabemos que temos direito, que o governo pode obter esse aparelho e não fornece”, lamentou.

“É muito descaso. Eles acham que a pessoa pode esperar. E a médica informou. Nos casos de apneia, as pessoas não podem esperar. Quando a situação é descoberta, precisam usar o aparelho de imediato. É muito descaso com o ser humano”, criticou. Dona Geny também enfrenta o problema de arritmia cardíaca.

Crise

De acordo com o defensor público do DF, João Carneiro Aires, a fila para os aparelhos só aumenta. Há uma média de 10 novas solicitações por mês. “Sem esses aparelhos, pessoas que possuem distúrbios respiratórios correm o risco de agravamento de seus quadros clínicos e, inclusive, de morte, alertou de defensor público do DF, João Carneiro Aires.

A falta do tratamento implica em diversas consequências à saúde, como o aumento do risco de hipertensão sistêmica, diabetes e acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, a DPDF protocolou uma Ação Civil Pública (ACP). O Juiz já recebeu a peça e notificou a Secretaria de Saúde do DF. Uma audiência deverá ser marcada em breve.

“Com a ação, a Defensoria Pública pretende o reabastecimento da rede pública de saúde, de forma a atender toda a demanda reprimida, assim como manter estoque suficiente para atendimento da população que precisa do Sistema Único de Saúde no Distrito Federal”, completou João Carneiro.

Sem ar

Em dezembro, o Metrópoles noticiou o drama da fila da oxigenioteria domiciliar no DF. Sem força nos próprios pulmões para respirar sozinhas, 450 pessoas esperam na fila pelo serviço. Infelizmente, o problema se agravou. Atualmente, 530 pacientes aguardam pelo tratamento.

No caso da oxigenioterapia, os pacientes só conseguem respirar com o apoio do tratamento. O uso domiciliar desafoga os leitos dos hospitais públicos e protege os pacientes eventuais infecções hospitalares.

A Defensoria Público do DF também ajuizou uma ação civil pública cobrando uma solução. Na avaliação dos membros do Núcleo de Saúde da DPDF, a crise nos tratamentos respiratórios é um dos principais problemas do SUS atualmente no DF.

Promessas

A Secretaria de Saúde prometeu soluções para as filas dos aparelhos respiratórios de oxigênio terapia domiciliar ainda em 2023.

Segundo a pasta, o tratamento CPAP é disponibilizado na rede de saúde nos hospitais Regionais da Asa Norte (Hran) e de Taguatinga (HRT). No momento, há um processo para a aquisição do equipamento para BIPAP.

Quanto à oxigenoterapia domiciliar, atualmente, a pasta atende 1.237 pacientes. A secretaria abriu dois processos de aquisição, um emergencial e outro regular.

“Serão ofertadas 1.941 novas vagas, priorizando-se os casos classificados como mais graves pelo Complexo Regulador”, prometeu a secretaria.

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