Revisor de jornal assassinado em motel é enterrado em clima de revolta

Rubens Bonfim Leal, 35 anos, foi encontrado sem vida e com perfurações no pescoço no domingo (13/5), no Núcleo Bandeirante

atualizado 15/05/2018 19:02

JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

Em clima de comoção e revolta, amigos, familiares e colegas de trabalho deram adeus ao revisor Rubens Bonfim Leal, 35 anos, nesta terça-feira (15/5), no cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. Quem prestou a última homenagem clamou por justiça pelo desfecho do assassinato brutal do rapaz, ocorrido no domingo (13).

Rubão, como os amigos mais próximos o chamavam, tinha como marca registrada a alegria. Assim o descrevia quem conviveu próximo ao profissional. “Ele era super amoroso e sorridente. Tinha sempre uma palavra amiga”, lembra a arquiteta Cláudia Siqueira, 38 anos. Ela conheceu Rubens na Paróquia Divino Espírito Santo, no Guará II, há pelo menos 20 anos.

Cláudia recorda com saudosismo das apresentações do amigo. “Ele era tão alegre, emocionava-se toda vez que cantava. Era lindo.”

O crime
Uma amiga contou à Polícia Civil que estava com Rubens em uma festa no Guará, no sábado (12). Por volta das 4h30, a mulher o levou à casa dele, também na cidade. Segundo a moça, o jovem pegou o próprio carro e disse que “daria uma volta” no Polo de Modas, no Guará II. Depois disso, a amiga foi embora.

Rubens morreu a golpes de arma branca dentro do Paradise Vegas Motel, no setor moteleiro do Núcleo Bandeirante. Com base em relatos de funcionários do estabelecimento à Polícia Militar, a vítima chegou ao local por volta das 7h30, dirigindo um VW Gol e acompanhado de uma pessoa. Em conversas preliminares com a PCDF, o porteiro do motel Josemy Gonzaga disse que o passageiro aparentava ter de 20 a 22 anos.

Aos investigadores, a camareira Francisca Souza contou ter ouvido, por volta das 8h, gritos de socorro. A mulher acrescentou que esse tipo de incidente não ocorre comumente no motel. Ainda segundo a funcionária, ela não tomou providências porque, em situações como essa, o gerente é quem costuma agir.

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Na sequência, o acompanhante de Rubens tentou sair do motel dirigindo o carro do revisor. Josemy descreveu o jovem como branco, magro, de cabelos castanhos e barba rala. O suposto autor do crime trajava bermuda, camiseta e blusa de frio, e calçava chinelos. Quando tentou deixar o local, ainda segundo o porteiro, o rapaz alegou que iria à farmácia comprar remédio.

Como a conta não havia sido paga, Josemy barrou a saída do acompanhante. Em seguida, o porteiro ligou para a suíte, mas Rubens não atendeu a ligação.

A Polícia Civil foi acionada e encontrou a vítima na entrada do banheiro de uma suíte, caído no chão, de bruços e nu. Mãos e pernas estavam amarradas com lençóis e havia sangue em volta do corpo. Na sequência, o Corpo de Bombeiros chegou ao local e constatou a morte.

Os investigadores da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante) encontraram o carro do revisor em frente a uma suíte diferente da reservada pela vítima. No veículo, havia uma bicicleta, periciada na segunda (14). Os policiais acreditam que o suspeito fugiu ao subir em uma VW Kombi estacionada no local e, depois, pular o muro do estabelecimento.

Até a publicação desta reportagem, a polícia não havia identificado o assassino. No motel, há câmeras de segurança, mas, de acordo com os investigadores, filmam apenas corredores aos quais somente funcionários têm acesso.

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