PCDF acredita que pode haver corpo onde traficantes torturavam vítimas

Usuários de drogas que deviam ao bando eram agredidos por até cinco horas em Planaltina

JP Rodrigues/Especial para o MetrópolesJP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

atualizado 22/06/2018 13:10

Ao menos mais um corpo pode estar enterrado em uma área de Planaltina onde usuários de drogas eram torturados por uma quadrilha de traficantes que agia na cidade. Durante uma operação desencadeada pela 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) nessa quarta-feira (20/6), três suspeitos foram presos por homicídio, tortura e cárcere privado. Apesar das prisões, o homem apontado como líder do bando permanece foragido.

A Operação Cruciatus – a expressão vem do latim, “maldição da tortura” – teve início em maio deste ano, após investigadores localizarem um cadáver enterrado próximo ao córrego da área de mata fechada no bairro de Fátima, em Planaltina.

Os policiais identificaram que o homem enterrado em uma cova rasa apresentava sinais de tortura. Elton Nascimento, 33 anos, teve o corpo incendiado pelos criminosos, mas antes passou por uma sessão de tortura que teria durado cerca de 5 horas, tudo por uma dívida de R$ 480.

Antes de ser torturado, Elton foi brutalmente espancado e jogado em uma cisterna que existe no terreno onde morava o líder da quadrilha, Márcio Rogério de Sousa Pinto, 38. “A vítima recebia pauladas com barras de ferro enquanto estava dentro da cisterna e teve uma corda amarrada ao pescoço usada para enforcá-lo. Depois, os criminosos tampavam a cisterna por horas”, contou o delegado adjunto da 16ª DP, Luiz Gustavo Neiva.

Outras vítimas
Todas as três vítimas identificadas pela polícia passaram pela mesma sessão de tortura que tirou a vida de Elton. Em comum, eles tinham o vício em drogas, como cocaína e crack, e moravam nas ruas de Planaltina ou em barracos humildes. Um deles se livrou da morte quando a esposa recebeu informações sobre uma sessão de tortura que estava ocorrendo.

De acordo com o delegado, a mulher foi até o local onde ficava a cisterna e conseguiu convencer os traficantes a libertar o companheiro. “Ela disse que pagaria a dívida, cerca de R$ 750, para que ele fosse solto. Com isso, esse usuário escapou da morte”, explicou. A terceira vítima também conseguiu fugir após ser torturada.

A quarta vítima, que está desaparecida, pode estar enterrada próximo ao local onde o corpo de Elton estava. “É uma possibilidade que vai ser esclarecida com a prisão do principal suspeito de comandar a quadrilha. O local onde a cova foi escavada é uma área muito grande e de difícil acesso. É quase impensável imaginar que o corpo de um homem foi arrastado desde o terreno onde fica a cisterna até o local usado como cemitério”, disse Neiva.

JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

 

Traficante lutador
Márcio Rogério, o principal foragido da quadrilha, é filho de um subtenente reformado da Polícia Militar e levava uma vida confortável, em um apartamento espaçoso de Águas Claras. No entanto, segundo os investigadores, enveredou para o mundo do crime. Ele também é amante de Artes Marciais Mistas, o MMA. Em suas redes sociais, publica fotos e vídeos de lutas e treinamentos físicos.

O suspeito mantém em suas redes sociais imagens de viagens para o Rio de Janeiro e outras cidades litorâneas do país. Márcio Rogério é apontado pelas investigações como um homem cruel e extremamente violento, que costumava impor medo aos usuários de drogas que mantinham dívidas com a organização criminosa.

Segundo o delegado Luiz Gustavo Neiva, qualquer pessoa que tenha informações sobre o paradeiro de Márcio Rogério deve entrar em contato com o número 197 da Polícia Civil. “Já expedimos seu mandado de prisão e estamos no encalço desse traficante”, afirmou.

O local onde o traficante mantinha as vítimas torturadas contava com um posto de vigilância no topo de uma árvore, para tentar antecipar a aproximação de policiais. Os investigadores localizaram, na tarde de quinta (21), um binóculo usado pelos criminosos para monitorar a região.

Tanto Márcio Rogério quanto os outros integrantes da quadrilha responderão por uma série de crimes, como homicídio qualificado, tráfico de drogas, ocultação de cadáver, tortura, cárcere privado, organização criminosa, roubo e corrupção de menores.

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