Motorista que invadiu casa e matou menina queria se suicidar, diz PCDF

Crime ocorreu em outubro do ano passado, no Paranoá. Caso foi tratado como homicídio culposo. Agora, a polícia sabe que não foi acidente

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1 de 1 WhatsApp-Image-2017-10-16-at-18.44.16 - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito sobre a morte da pequena Gheanny Karolyne Sousa dos Santos, de apenas 3 anos. O crime ocorreu em outubro do ano passado, no Paranoá. A criança estava deitada no sofá da sala, quando um carro bateu violentamente no muro da casa e a atingiu. O motorista Hegon Henrique Brito Xavier, 24, foi indiciado por homicídio doloso.

De acordo com as investigações da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), o acidente foi tratado inicialmente como homicídio culposo (sem intenção de matar). No entanto, o caso teve uma reviravolta. Os policiais descobriram que minutos antes do acidente, o condutor discutia
com a namorada.

Ela contou em depoimento que os dois estavam se desentendendo desde a casa do rapaz e que teria pedido para que ele a levasse embora. Foram discutindo pelo caminho, até que a jovem disse não querer mais o relacionamento. Transtornado, Hegon teria dito: “Já que você não quer, eu quero morrer”, relatou a namorada, que não teve os dados divulgados.

Depois do comentário, Hegon Henrique lançou o veículo contra o imóvel. Dessa forma, o rapaz foi indiciado por homicídio doloso, com dolo eventual. “Não houve qualquer vestígio de que ele tentou fazer a curva ou frear. Ele não queria matar, mas assumiu o risco”, afirmou Ulysses Luz, delegado cartorário da 6ªDP.

Conforme Luz, a perícia determinou que Hegon estava a pelo menos 50km por hora, velocidade incompatível com a via, que é de 40 km.

“Agora, ele vai responder por duplo homicídio, um consumado (criança) e uma tentativa (namorada).Também foi indiciado por lesão corporal, pois feriu os pais da vítima. O Hegon deve pegar mais de 20 anos de prisão”, ressaltou Luz. “Ele não preenche os requisitos para prisão preventiva e segue em liberdade. Se fosse um criminoso habitual, estivesse atrapalhando a investigação ou quisesse fugir, seria preso”, destacou.

 

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Bombeiros acompanham a retirada do carro
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Veículo que invadiu a casa é retirado da residência
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Testemunhas
Uma testemunha chegou a ver o casal antes do acidente. Hegon e a passageira do carro — sua namorada — discutiram calorosamente em frente a um estabelecimento comercial. Depois, os dois entraram no veículo e o condutor teria arrancado em alta velocidade. “Saíram a mil por hora, cantando pneu na avenida. Tentei ligar no 190, mas não consegui”, relatou.

A mãe de Hegon, a cabeleireira Simone Clara, 40 anos, confirmou, à época, que o filho havia brigado com a namorada minutos antes do acidente e acredita que ele poderia estar sob efeito de alguma substância. “Meu filho nunca usou drogas ou bebida alcoólica. Ele estava transtornado pela briga com a namorada. Acredito que possa ter tomado algum tipo de medicação”, contou.

De acordo com o ambulante Luiz César Ribeiro, 42 anos, que testemunhou o acidente, o carro estava em alta velocidade. Segundo ele, após invadir a casa, o motorista desceu do veículo alterado, “falando palavras desconexas”. E concluiu: “Eles pareciam drogados”.

 

O ambulante foi um dos que ajudaram a erguer o Siena para retirar a menina debaixo do veículo. “Fizemos muita força, mas não conseguimos”, lamentou.

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