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Segurança

Médico denuncia estupro de menina de 11 anos após festa em escola

A criança foi atendida no pronto-socorro de um hospital particular na madrugada de domingo (5/6). Ela foi dopada com o remédio usado no golpe "boa noite, Cinderela"

07/06/2016 21:54, atualizado 07/06/2016 22:05
Istock
Médico denuncia estupro de menina de 11 anos após festa em escola

O plantão em um pronto-socorro é sempre cercado de tensão. Mas nem no pior pesadelo, o médico Alexandre Paz poderia imaginar o que veria na madrugada de domingo (5/6). O pediatra atendeu a uma criança de 11 anos, vítima de estupro, após ser dopada com o medicamento rupinol — usado no golpe “boa noite, Cinderela”.

Por volta das 5h da manhã de domingo, o médico recebeu, na emergência de um hospital particular de Taguatinga, o pai e a filha. Paz receitou os remédios para prevenir a contaminação com doenças sexualmente transmissíveis (HIV, Hepatite B e outras), além de medicamentos para evitar a gravidez.

“A pílula do dia seguinte é muito importante. Afinal, é preciso impedir que uma criança de 11 anos engravide vítima de um estupro”, contou Paz, em entrevista ao Metrópoles.

A criança, segundo o depoimento do médico, estava em uma festa da escola, no sábado (4). Sem perceber, ela foi intoxicada com o rupinol — que é um potente indutor do sono — e, em seguida, sofreu a violência sexual.

Reprodução
Medicamento usado para drogar a menina

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Alexandre Paz relata que, apesar de conviver sempre com a morte, a dor e o sofrimento, ficou em estado de choque. “Precisava de muito mais do que o protocolo médico me ensina. A teoria foi pouco. Buscava uma palavra de consolo. Amor, esperança, sei lá. Tinha que falar algo positivo para aquela criança”, desabafou.

O médico fez questão de protestar contra a iniciativa de alguns parlamentares que buscam dificultar o atendimento a jovens vítimas de estupro. “Por algum motivo, naquela hora, também me veio à cabeça o projeto de lei que tramita no nosso estimado Congresso, de autoria da nossa estimada bancada religiosa, composta por homens de bem, que limita o atendimento de vítimas de estupro pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, criticou.

Conseguimos tratar as lesões físicas, mas as consequências psicológicas são muito profundas

Alexandre Paz

Ao Metrópoles, o pediatra relatou que a menina e o pai, antes de chegar ao hospital, já tinham procurado a polícia para denunciar o crime, mas não soube informar onde a ocorrência tinha sido registrada. O caso aconteceu dias após uma jovem do Rio de Janeiro ser vítima de um estupro coletivo, em um caso que causou grande repercussão nacional.

Médico denuncia estupro de menina de 11 anos após festa em escola