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A Justiça do Distrito Federal decretou, no fim da tarde desta sexta-feira (8/9), a prisão preventiva do policial militar da reserva José Arimatéia Costa, 58 anos. Na noite de quinta-feira (7), ele disparou dois tiros à queima-roupa contra seu vizinho Adilson Santana, 36, que morreu em seguida no local. A partir de agora, a Polícia Civil está em busca do suspeito, considerado foragido.

Pela manhã, a Justiça indeferiu um pedido de prisão contra o policial militar. Isso porque a detenção havia sido solicitada na madrugada, mas o Judiciário entendeu que a demanda não era urgente e a enviou para o Tribunal do Júri de Samambaia. No entanto, um novo pedido de prisão foi feito pela Polícia Civil e acatado ainda nesta sexta (8) pela Corte.

Problemas de saúde
Em depoimento na tarde desta sexta-feira, a mulher do acusado, Elza Abadia, alegou que o marido está enfrentando graves problemas de saúde e, por isso, “andava muito estressado e se descontrolando facilmente”.

A Polícia Militar do DF informou que José Arimatéia se aposentou em 2015 por tempo de serviço. No entanto, no mesmo ano, foi constatado que ele tem uma “doença grave”, não revelada pela corporação.

Entenda
A confusão entre os vizinhos, que acabou em morte, começou por volta das 18h da quinta-feira, feriado de Sete de Setembro, quando José Arimatéia enviou uma foto de uma sujeira em sua janela e acusou o vizinho de cima de ter cuspido no local, no momento em que escovava os dentes.

“Ô sem noção, que mora no 1803-A, quando escovar seus dentes, vê se não cospe a meleca na casa dos outros. Eu moro aqui no 1703-A e vi essa sujeira que cospiram lá de cima (sic)”, enviou o PM no grupo dos moradores. O texto era acompanhado de uma foto da janela.

Exaltado, Adilson enviou mensagens de texto e áudios negando as acusações. “Meu amigo, tu tá ficando maluco, falando merda. Primeiro, olhe essa merda para depois falar. Me respeite, que educação eu tenho. Não vou escovar porra de dente em varanda. Olha sua porra direito, não fale merda que você não sabe.”

Revoltado, Adilson seguiu se defendendo: “Meu irmão, você tá a fim de resolver, sua porra, você venha pra cá e fale, tá bom? Não venha pra cá botar porra de grupo. Você não sabe o que tá falando, não. Cheira essa desgraça aí e veja se é uma pasta de dente, rapaz! Suba aqui pra gente conversar”. Minutos depois, José Arimatéia subiu até o apartamento de Adilson. Eles brigaram e o PM acabou levando um soco no rosto. Devido ao impacto, caiu no chão.

Após se levantar, Arimatéia teria sacado a arma e efetuado dois disparos. Um deles atingiu o peito da vítima, que foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. A mulher de Adilson viu a briga e quase foi atingida. O casal tem uma filha de apenas três meses.

Já mulher do PM, Elza Abadia, disse ao delegado Fabio Rodrigo Michelan, adjunto da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), que não tem contato com o marido desde a noite do crime. Ela teria sido informada, porém, que o PM estava procurando um advogado para se entregar.

Elza Abadia disse ainda que não houve luta corporal entre o marido e a vítima. Afirmou que, quando Arimatéia subiu e bateu na porta do apartamento de Adilson, levou um soco na cara. “E quando ele caiu, teria visto a arma e provocado o PM dizendo: ‘Atira se você for homem’. Então, ele [Arimatéia] atirou”, contou o delegado.

 

 

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