*
 

Uma comemoração que terminou em mutilação e tristeza. A história do analista de TI Juarez Carlos Lima Oliveira Junior, 24 anos, serve de alerta, especialmente neste fim do ano, quando os fogos de artifício costumam ser protagonistas das festas. Filho do deputado Juarezão (PSB), presidente interino da Câmara Legislativa, o jovem teve uma lesão grave na mão esquerda durante a celebração da formatura da namorada na chácara da família, em Brazlândia.

O caso ocorreu há quatro meses e causou traumas não só físicos como psicológicos ao rapaz. Juarez Junior perdeu parte do polegar e do indicador, teve o dedo médio reconstituído e passou por duas cirurgias. Precisou ser afastado do trabalho e, até hoje, faz sessões de fisioterapia e terapia ocupacional para recuperar o movimento da mão atingida.

“Vai ficar marcado para minha vida inteira. Todos os dias penso no acidente em ações cotidianas. Criei uma aversão a sair de casa, principalmente sem a família, pois acho que estão todos me olhando”, desabafa Juarez Junior.

Juarezão diz que o artefato explodiu de repente. O distrital defende uma maior fiscalização sobre os produtos para evitar outros acidentes e estuda medidas jurídicas, pois desconfia que possa ter ocorrido defeito de fabricação no produto acionado por Juarez Junior. “No caso do meu filho, a bomba estourou imediatamente, assim que foi acionada”, destacou.

O acidente com o filho do deputado não é um caso isolado. “São mais comuns nessa época do ano, quando muitos usam rojões para celebrar as festas de Natal e réveillon”, diz o capitão Gildomar Alves, do Corpo de Bombeiros do DF.

A Secretaria de Saúde informou que não tem um levantamento de quantas pessoas deram entrada nos hospitais da rede por conta de acidentes com fogos de artifícios. O Corpo de Bombeiros também não faz essa contabilidade, mas mostra que, somente este ano, fez 126 atendimentos relacionados a queimaduras no DF.

Dono de uma loja especializada em fogos de artifício, Roberto Batata afirma que erros de fabricação costumam ser mais raros e que, normalmente, os acidentes ocorrem por manuseio incorreto dos artefatos. “Principalmente nas festas, as pessoas ingerem bebidas alcoólicas e não fazem qualquer questão de ler as instruções, que obrigatoriamente estão na caixa. Assim, acabam se machucando”, conta o empresário.

 


Normas e fiscalização

A venda e o uso de fogos de artifício são regulados por algumas legislações, nem sempre seguidas à risca. A mais importante é o Decreto nº 3.665, de 20 de novembro de 2000, redigido pelo Exército e que estabelece normas quanto à fabricação, venda e consumo dos artigos.

Entre as regras, estão classificação dos fogos de artifício quanto à quantidade de pólvora. Bombinhas do tipo “estalinho”, por exemplo, estão na categoria A, podendo ser vendidas para crianças e usadas em ambientes fechados.

Já os chamados rojões estão nas classes C e D, cuja venda somente é permitida a adultos. Em tese, o uso em festas ou perímetro urbano só pode ser feito mediante informação de local e data a autoridades competentes.

No Distrito Federal, a lei é regida pela Norma Técnica 008, de 2008, do Corpo de Bombeiros do DF. A regulamentação estabelece as condições necessárias ao armazenamento e uso dos artefatos para que os riscos sejam mínimos.

A fiscalização da venda, segundo a legislação, precisa ser feita por órgãos específicos, como as Secretarias de Segurança e o Corpos de Bombeiros. O presidente em exercício da Câmara afirma que, após o acidente com seu filho, buscará formas de intensificar a vistoria dos estabelecimentos bem como a conscientização da população quanto aos riscos no uso de bombas e rojões.

Cuidados
Para evitar que a diversão termine em acidente, o Corpo de Bombeiros — que garante fazer uma fiscalização permanente, com a Agefis, dos estabelecimentos que vendem fogos — dá algumas dicas na hora de soltar os rojões:

Arte/Metrópoles