Asa Norte: ladrões “homens-aranha” fazem onda de roubos a prédios

Na região há diversos relatos de bandidos que escalam edifícios, ameaçam moradores e invadem apartamentos

Myke Sena/Especial para o MetrópolesMyke Sena/Especial para o Metrópoles

atualizado 21/12/2019 18:09

Moradores das quadras 400 da Asa Norte estão preocupados com a grande quantidade de roubos a residências praticados por ladrões escaladores. Isso por que os prédios daquela região são mais baixos e muitos deles não contam com porteiros ou vigilância 24 horas.

Neste ano, segundo estatística da Secretaria de Segurança Pública (SSP/DF), foram registradas 133 ocorrências de furto em residência na Asa Norte nos primeiros 10 meses. No mesmo período de 2018, ocorreram 131 episódios dessa natureza.

A advogada Maria Célia Primo, 59 anos, estima um prejuízo de R$ 10 mil após um furto ocorrido na madrugada de 5 de dezembro. A família estava em casa quando o criminoso escalou as paredes e entrou pela janela do apartamento localizado na 402 Norte.

“Eu estava dormindo e ele entrou, pegou o celular, a bolsa com documentos e R$ 400. Depois, foi ao quarto do meu filho, levou o relógio, roupas, uma mochila com notebook. Tenho um filho que é DJ e ele também levou os equipamentos e um fone profissional, que custa quase R$ 3 mil. Depois, pegou as chaves da casa e do carro e saiu. Tive de trocar todas as fechaduras e, por sorte, ele não levou o carro”, narra a moradora.

Ninguém no apartamento chegou a ver o malfeitor e os moradores só se deram conta do crime quando acordaram.

Nas paredes do bloco, que está em obras e teve ao menos dois imóveis furtados, ainda é possível ver marcas de pés por onde os ladrões subiram. As câmeras de segurança do residencial não flagraram a ação. “O que me deixa mais chateada não é nem ele ter roubado as coisas, mas ele ter invadido a minha casa. Isso me dá uma sensação de insegurança muito ruim, de que eu não posso me sentir segura nem mesmo dentro da minha própria casa”, lamenta Maria Célia. O local passou por perícia, mas nenhum objeto foi restituído e os suspeitos seguem foragidos.

Rendição e ameaças

Outra vítima dos ladrões, uma mulher que mora no mesmo bloco de Maria Célia, na 402 Norte, foi feita refém no banheiro de sua residência, enquanto o criminoso fez uma limpa nos ambientes. O crime ocorreu na última semana de novembro, ocasião em que o homem interfonou para o apartamento e pediu um copo d’água. Ela disse que não poderia descer para entregar, nem deixá-lo subir, pois estava sozinha em casa. Assim que a vítima confessou não haver mais ninguém no endereço, o bandido subiu pelas escadas e forçou a porta.

Com ameaças de morte, o homem ordenou que a mulher se trancasse no banheiro e não saísse até que ele tivesse ido embora. Assim como ocorreu com o apartamento de Maria Célia, o ladrão levou computadores, eletrônicos, carteira, bolsa, as chaves de casa e dos dois carros. Ele chegou a roubar um dos veículos e, até a última atualização deste texto, o automóvel não havia sido localizado.

Vítima esfaqueada

Na madrugada de 17 de dezembro, um homem escalou a parede de um prédio na 402 Norte, invadiu o apartamento e esfaqueou a moradora, causando um corte profundo no braço. A mulher ouviu o barulho do bandido revirando os itens da casa e o flagrou no momento em que ele saía pela janela. Ela tentou segurá-lo pelo pé, mas o bandido reagiu e esfaqueou a vítima, de 34 anos.

Câmeras de segurança registraram o assaltante fugindo em uma bicicleta compartilhada e o porteiro do bloco correndo atrás dele. O bandido não foi alcançado e conseguiu fugir com uma mochila preta nas costas e uma sacola azul nas mãos, onde estavam os itens roubados.

Arrombamento

Um residente da 404 Norte contou ao Metrópoles ter tido o carro arrombado na semana passada. Ele, que pediu para não ser identificado, perdeu o aparelho de som do veículo.

“O ladrão quebrou o vidro, revirou o interior e levou o aparelho. Um prejuízo de mais ou menos R$ 400. Outros moradores também tiveram seus automóveis arrombados, com o mesmo modus operandi dos ladrões e, inclusive, em horários parecidos. Sem falar nas invasões de apartamentos, que ocorrem com frequência quase semanal”, expõe a vítima.

Na mesma quadra, câmeras de segurança flagraram um homem, apontado pelos moradores como suspeito, forçando a porta de uma minivan, no estacionamento público da 404 Norte. Ele tenta destravar a maçaneta, desiste e sai caminhando. O caso foi registrado no último dia 15.

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