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A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quinta-feira (14/6), os dois homens que usaram o uniforme da corporação para roubar um apartamento no bloco A da 311 Norte, há cerca de um mês. Uma mulher, amiga da dona da casa, é apontada como a mentora do crime e está entre os três detidos. O caso foi investigado pela 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).

Rafaela Cristina Santos de Melo, 31 anos, era cabeleireira da dona da casa, uma pensionista do Exército de 79 anos. A mulher foi presa no Pedregal, no Entorno do Distrito Federal. A PCDF encontrou os comparsas dela, Emerson Lopes Ferreira, 22, e Alex Alves da Silva, 32, na mesma região.

Ambos tinham passagem pela polícia. Emerson por homicídio tentado, porte ilegal de arma e receptação. Alex, por tráfico de drogas. Segundo os investigadores, Rafaela esteve no apartamento no dia do crime. Ela estava na residência minutos antes da ação dos suspeitos.

No dia do roubo, ao descer com a idosa, afirmou ter esquecido um caderno no apartamento e ficou com a chave da proprietária. Ela retornou ao carro, mas, antes disso, deixou o imóvel aberto para facilitar a ação dos comparsas, segundo a Polícia Civil.

Quatro minutos depois, Emerson e Alex chegaram ao local e se apresentaram como policiais civis. Na saída do apartamento, do qual levaram joias, pingentes, relógios e outros objetos pessoais, os assaltantes simularam um arrombamento da porta. O trio responderá por roubo com restrição de liberdade, com pena prevista de 2 a 8 anos.

Durante a apresentação dos suspeitos nesta quinta, Rafaela mostrou o rosto o tempo todo. E soltou a seguinte frase: “O pobre não pode se misturar com o rico que dá nisso aí”.

Ian Ferraz/Metrópoles

Rafaela e os comparsas foram presos nesta quinta (14/6)

 

 

No dia do crime, em 8 de maio, o filho da moradora conversou com o Metrópoles na saída da delegacia. Sob a condição de não ser identificado, ele havia dito que acreditava em crime premeditado. “Eles foram direto no armário da minha mãe e no meu quarto e nos objetos de maior valor de mercado”, ressaltou. As joias levadas não estavam guardadas em cofre, disse.

O homem contou, ainda, que os dois criminosos levaram pelo menos 20 relógios de luxo dele, avaliados em R$ 150 mil. Entre eles, alguns da marca Rolex. Rendido e feito refém pelos bandidos, o porteiro também conversou com a reportagem. Relatou ter sido rendido na chegada do apartamento. “Um deles levantou a camisa e mostrou a arma e disse para eu ficar com a cabeça abaixada. Em seguida, me colocaram no banheiro”, afirmou.

Disfarce
Na portaria, os dois assaltantes identificaram-se como agentes e apresentaram um falso mandado de busca e apreensão. Eles levaram ao menos R$ 500 mil em joias, além de dinheiro. O funcionário do bloco autorizou a entrada dos suspeitos e, na porta do apartamento, acabou rendido pelos dois assaltantes. Em seguida, o trancaram dentro do banheiro e fizeram um “limpa” no imóvel.

Os dois homens saíram com uma mochila, garrafas de bebidas e uma mala. Policiais militares do 3º BPM foram acionados e compareceram ao local, mas os suspeitos já haviam fugido. Segundo a PCDF, os acusados portavam arma de fogo. A ação teria durado cerca de 50 minutos.

Imagens do circuito interno de segurança do prédio divulgadas pela PM mostram o momento em que os dois homens chegam ao edifício e conversam com o porteiro. Um deles tem um papel em mãos, que seria o mandado judicial falso. O funcionário pergunta para quem é endereçado o documento e o rapaz diz que vai consultar o nome. Saca o celular do bolso para supostamente pedir a informação. Em seguida, faz o trabalhador subir ao apartamento.

A dona do imóvel invadido mora com o filho. Ela contou que ambos não estavam em casa no momento do assalto. Mas, quando chegou, percebeu algo estranho, especialmente porque a porta não fechava direito.

Logo em seguida, ela teria recebido uma ligação do filho para que deixasse o local, pois tinham sido vítimas de um roubo. Conta também que os assaltantes levaram todas as joias feitas exclusivamente para ela e calcula que o prejuízo ultrapasse R$ 500 mil. Os quartos de ambos os moradores foram completamente revirados. Os suspeitos teriam carregado ainda relógios e dinheiro.

Os bandidos usaram, provavelmente, um pé-de-cabra para arrombar a porta do apartamento, localizado no segundo andar. Antes, porém, eles foram até o bloco B da 311 Norte e mostraram o falso mandado judicial para o porteiro do edifício.

Como o funcionário disse que não havia ninguém com o nome indicado no prédio, os homens seguiram para o bloco A. Lá, foram autorizados a entrar porque apresentaram o falso mandado em nome de Antônio Carlos. Ele era filho da idosa e faleceu há seis meses.

 

 

 

 

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