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A 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) deflagrou na manhã desta sexta-feira (2/3) a Operação Casablanca. A ação foi desencadeada para apurar a morte de Ulisses Augusto Pinto Coelho, conhecido como Pisca, 46 anos, em novembro do ano passado, no Incra 7, em Brazlândia. Foram presas quatro pessoas, entre elas o agente de custódia aposentado Rivanildo Gomes de Araújo, 54 anos.

O agente e o irmão dele (Rivieliton Gomes de Araújo, 39 anos), segundo a PCDF, seriam proprietários da casa de eventos Casablanca, em Ceilândia, e patrões da vítima. As investigações apontaram, disse o delegado Adval Cardoso de Matos, que os dois teriam feito um seguro de vida no nome do funcionário, sendo beneficiários da apólice. Por isso, são os principais suspeitos de matá-lo.

As investigações foram iniciadas após o corpo de Ulisses ser encontrado já em avançado estado de decomposição a cerca de dois quilômetros da Casablanca. “Ele era um funcionário dos proprietários. O famoso ‘faz tudo’. Durante as apurações, descobrimos que existiam empresas no nome dele, além de um seguro de vida no valor de R$ 100 mil reais, cujo beneficiário eram os patrões”, explicou.

Bebida batizada
O delegado contou que o empregado era alcoólatra e havia saído da cadeia. Os empresários teriam, ainda, colocado os negócios em nome dele, como laranja. Ainda de acordo com o policial, além do estabelecimento, os irmãos gerenciavam um depósito de bebidas batizadas.

Durante as ações, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos endereços residenciais e comerciais dos investigados. Também foram apreendidas diversas bebidas alcoólicas destiladas e cervejas com prazos vencidos e indícios de falsificação. Acetonas usadas para suprimir a data de validade das bebidas acabaram recolhidas no local.

Outras duas pessoas foram detidas suspeitas de participação na associação criminosa. A operação teve a participação de 60 policiais civis e apoio das Divisões de Operações Especiais (DOE) e Aéreas (DOA) da Polícia Civil.

Veja o vídeo do delegado Adval explicando o esquema:

 

Validade adulterada
Foram localizadas na distribuidora e em uma casa ao lado do local (que também funcionava como um depósito clandestino) cerca de mais de dez mil caixas de cerveja com a validade adulterada.

O auditor fiscal da Receita Federal Marco Aurélio explicou que eles foram chamados pela Polícia Civil do DF para prestar apoio à operação, já que a maioria da mercadoria encontrada nos endereços não possuía nota fiscal: “Todos os produtos estão avaliados em mais de R$ 1 milhão. Viemos verificar a situação tributária dessas mercadorias. Toda a bebida vai ser encaminhada para a delegacia e lá será apontado o que é de origem legal ou ilegal”.

Segundo investigadores da 18ª DP, o grupo adquiria as garrafas vazias em festas de todo o DF, pegavam bebidas inferiores e enchiam as garrafas de marcas tradicionais, lacravam e revendiam como se fossem originais.

Além das 10 mil caixas de cervejas, há uma quantidade considerável de garrafas de vodka, uísque, cachaça e outros destilados. O grupo trazia algumas bebidas vencidas da Paraíba e da Bahia.