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Adquiridas pelo Governo do Distrito Federal no fim do ano passado, 23 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) novinhas em folha ficaram mais de dois meses paradas no Parque de Apoio da Secretaria de Saúde, no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA). Só nesta quinta-feira (1º/3), o GDF venceu a própria burocracia e conseguiu liberar a frota.

De acordo com a Secretaria de Saúde, as 23 viaturas foram “patrimoniadas” e equipadas para substituir os veículos mais antigos. Elas foram anunciadas pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB) no dia 23 de dezembro. O chefe do Executivo foi até Cristalina, Entorno do DF, conferir de perto os novos carros que chegaram de São Paulo. De lá, as ambulâncias seguiram para o pátio da secretaria, onde ficaram até hoje. Agora, vão reforçar o atendimento à população.

As novas ambulâncias custaram R$ 3 milhões. Do total, 19 foram compradas por meio de emendas parlamentares – 14 custeadas com emendas parlamentares do senador Reguffe (sem partido) e cinco com recursos destinados pelo deputado federal Ronaldo Fonseca (Pros).

As outras quatro foram doadas pelo Ministério da Saúde. “Nossa execução de emendas é absolutamente republicana, pois os recursos são da população. Não são nossos nem dos deputados. Temos mais 11 ambulâncias já empenhadas e, com isso, teremos renovado toda a frota do Samu”, disse o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), nesta quinta (1°), durante cerimônia no Palácio do Buriti.

O Samu-DF tem, atualmente, 60 ambulâncias e 20 motos. Da frota, 38 atendem diretamente à população e outras 22 ficam na “reserva técnica”, caso alguma necessite de manutenção. Em média, a equipe do Samu realiza 78 mil teleatendimentos por mês.

 

Falta de materiais
A chegada das ambulâncias ajuda, mas não resolve todos os problemas do Samu, segundo o Sindicato dos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem do Distrito Federal (Sindate-DF). A entidade reclama que as macas dos veículos, que deveriam ser usadas nos atendimentos, acabam muitas vezes ficando nos hospitais, pois a maioria das unidades de saúde pública não possui leitos disponíveis para receber os pacientes.

Além disso, o sindicato afirma que funcionários do Samu têm tirado dinheiro do próprio bolso para comprar pilhas e manter equipamentos de glicemia e checagem de pulso em funcionamento. “Fica complicado manter a equipe trabalhando e prestando um serviço de qualidade. Não tem o básico. Muitas vezes, o paciente é levado ao hospital sem necessidade, pois não temos os equipamentos disponíveis nas ambulâncias para realizar um diagnóstico”, desabafa Newton Batista, diretor do Samu-DF.

Outros itens, movidos a bateria, estariam viciados. Dessa forma, descarregam rapidamente, impossibilitando o uso. As pás dos aparelhos desfibriladores, que são descartáveis, estão sendo reutilizadas por falta de novas.

Por fim, o sindicato critica fortemente a medida adotada pela Secretaria de Saúde do DF que reduziu de dois para um o número de técnicos de enfermagem por ambulância. “É uma aberração”, conclui Newton Batista.

É difícil oferecer um bom atendimento. A falta de manutenção dos equipamentos é o principal problema. Nós fazemos aquilo que podemos."
Técnico de enfermagem do Samu que pediu para não ser identificado

A respeito das macas, a Secretaria de Saúde diz, em nota, que “ao dar entrada nos hospitais, a maca pode ficar retida durante o atendimento. O paciente é atendido, avaliado e em seguida, o equipamento é liberado”.

O órgão alega ainda que não existe orientação por parte dos gestores do Samu-DF para que servidores comprem insumos com dinheiro próprio. Por fim, a pasta negou a falta de pás para os aparelhos desfibriladores: “O Samu-DF dispõe de material em estoque e há processo para aquisição em andamento”.