O homem preso nesta sexta-feira (1º/3) com produtos e equipamentos estéticos falsos, em um comércio de higiene e beleza pessoal localizado na 411 Norte, teve 2.157 itens apreendidos dentre frascos, agulhas, seringas, materiais para tatuagem e até pistolas para aplicação de medicamentos. Identificado como Natanael, de 33 anos, o suspeito responderá por crime hediondo de corrupção de produtos para fins farmacêuticos e terapêuticos, podendo pegar até 15 anos de prisão.

Segundo a Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf/Difraudes), da Polícia Civil (PCDF), uma das empresas envolvidas afirmou que as pistolas de aplicação vendidas pelo homem eram falsas e teriam causado danos físicos em clientes. O equipamento verdadeiro possui regulamentação e autorização da Anvisa, ao contrário da apreendida com Natanael, confirmou a corporação.

“A empresa nos contou que consumidores enganados por ele sofreram necrose. Se a aplicação for realizada superficialmente, pode realmente necrosar o local”, explicou a delegada da Difraudes, Isabel Dávila Lopes (foto em destaque). A fabricante informou aos investigadores que receberam as denúncias de clientes e estavam apurando os fatos.

As investigações da PCDF tiveram início após uma denúncia da Anvisa. Segundo a corporação, o homem se apresentava como distribuidor, mas não realizava os procedimentos. A delegada conta que, apesar da prisão, a Difraudes ainda não recebeu queixas de pessoas que teriam feito o uso dos produtos falsos. “Neste caso, a vítima do crime é o Estado”, disse.

Prisão
A Polícia Civil apreendeu ampolas de ácido hialurônico com lidocaína, vitamina B12 com lidocaína, desoxicolato, bisnagas de lidocaína, ácido alfa lipóico, recipientes de microagulhamento subcutâneo, pistolas elétricas para aplicação de medicamentos, canetas a laser para remoção de manchas, rejuvenescimento e tatuagens, blisters de cânulas e agulhas de todos os tipos, entre outros itens, para a realização de procedimentos estéticos.

De acordo com a PCDF, alguns itens apreendidos são falsos, com fabricação e procedência desconhecidas. O uso desses produtos, alertam os investigadores, coloca a vida dos consumidores em risco. Eles são usados na pele, para preenchimento e outros procedimentos estéticos, e para a queima e retirada de gordura localizada, por exemplo.

O material, aponta a PCDF, era oferecido em um pequeno comércio formal de produtos de beleza e higiene pessoal na Asa Norte e pelo Instagram.