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Nada mudou para os pais Francisco Faustino, 39 anos, e Fabrícia da Silva, 29. Duas semanas após terem o corpo do seu bebê morto trocado com o natimorto de outro paciente no Hospital da Região Leste do Paranoá, eles seguem sem poder enterrar o filho, velado por engano pela outra família.

Francisco teve que recorrer à Defensoria Pública do Distrito Federal para uma solução mais eficaz do caso. “Entrei com requerimento na última terça-feira [3/7] e está nas mãos da Justiça agora”, conta o pai.

O órgão justificou à família existir um impedimento junto ao local onde seu filho foi enterrado por engano, em Planaltina. “A Defensoria disse que eles [cemitério] não quiseram exumar o corpo, pois não são obrigados a fazer isso”, aponta.

Procurada pelo Metrópoles, a Defensoria Pública do DF não havia se posicionado sobre o episódio até a última atualização desta matéria.

Reunião
Buscando resolver o imbróglio, Francisco agendou uma reunião com o diretor da unidade, Leonardo Ramos, na última quarta-feira (4), mas saiu insatisfeito. “Não fizeram nada demais. Assumiram a falha e ficaram naquelas conversinhas de sempre”, reclamou.

Segundo ele, a esposa é quem mais tem sofrido com o episódio. “Em algumas horas, eu não sei o que falar para minha mulher, mas procuro palavras de conforto. Não tem sido fácil.”

À reportagem, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou estar acompanhando de perto a situação e disse ter oferecido apoio psicológico aos pais. O casal nega o contato da pasta.

De acordo com o Instituto de Medicina Legal (IML), uma data para a exumação do corpo ainda não foi definida. O órgão defende que a demora é provocada pela alta complexidade do procedimento.

Explicações
A direção do hospital assumiu o erro e culpou a semelhança entre os nomes dos pais: Fabrícia da Silva Borges e Francisco Faustino, que perderam um menino com 37 semanas de gestação; e Francisca Nalani Fabrício, a outra mãe, a qual esperava uma menina e estava com 20 semanas.

Francisca Nalani Fabrício teria dado entrada no hospital em 20 de junho, sentindo fortes dores abdominais e sem saber que estava grávida. Um procedimento cirúrgico de emergência foi realizado para a retirada do feto – já morto.

“Esse feto acabou sendo trocado com o de outra família que também perdeu um bebê, cujos pais se chamam Fabrícia da Silva Borges e Francisco Faustino. A semelhança entre os nomes dos pais teria confundido a equipe médica. Assumimos o erro e pedimos desculpas aos familiares. É um caso inédito para nós. Nunca tínhamos lidado com isso”, explicou Leonardo Ramos, diretor do hospital.