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Estoque zerado em laboratório faz vacina contra meningite B também faltar em clínicas particulares

A morte recente de um bebê na cidade fez os pais correrem para as clínicas na tentativa de imunizar as crianças contra a meningite B, que não está no calendário público de vacinação. Empresa diz que novas doses já estão sendo distribuídas

Carolina Samorano
 

Recentemente, um caso de meningite que levou um bebê de 9 meses à morte em menos de 24 horas em um hospital particular no DF deixou pais arrepiados de medo. O episódio gerou uma certa corrida às clínicas para atualizar as carteiras de vacinação das crianças com a proteção contra a meningite B, disponível apenas na rede particular – o calendário público oferece desde 2010 a vacina contra o tipo C da doença, mais comum no país.

Mas, ao chegarem aos consultórios, um susto: o produto está sumido das prateleiras da maioria das clínicas. O Metrópoles ligou para as principais clínicas da cidade. Em uma delas, não se tem notícias da vacina há pelo menos três meses. Em outras, há uma lista de espera. A meningo C e a quadrivalente, ACWY, estão com estoques normais. Segundo a Secretaria de Saúde, nos postos públicos também não há falta de meningo C.

Camila Calazans, moradora de Águas Claras, está há mais de quatro meses procurando a vacina contra a meningite B para a filha de 1 ano e 10 meses. Foi o pediatra quem recomendou a dose à menina, mas as notícias recentes de casos da doença no DF a deixaram assustada. “Não entendo essa falta da vacina. Estou na lista de espera de várias clínicas e não existe nem previsão”, desabafou.

A reação desesperada dos pais à situação não é nenhuma surpresa para os especialistas. Toda vez que a mídia noticia uma morte em função da doença, as clínicas e postos de saúde veem filas se formarem do lado de fora. Acontece direto. Foi por causa disso, inclusive, que a proteção contra a meningite B começou a faltar nas clínicas particulares.

A vacina é nova. Começou a ser distribuída pela GSK no Brasil em maio deste ano, por cerca de R$ 600 cada dose. Em julho passado, o Rio Grande do Sul viveu um surto de meningite, com quatro mortes registradas. A maioria pelo tipo C da doença. Mesmo assim, as famílias trataram de ir às clínicas atrás da meningo B. Para acompanhar a demanda, o laboratório enviou carregamentos extras da vacina para a região. Conclusão: não deu para quem quis.

“A vacinação é importante, a doença é grave e traz muitas complicações. Mas as pessoas estão meio perdidas. Os pais veem um criança morrer do seu lado e saem correndo para vacinar. Mas a meningite é um perigo de todo dia. Não só quando se vê na televisão um caso desses. Caso tem toda hora. Uma hora dessas pode ser seu filho”, alerta Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Em nota, a GSK informou que desde o início de outubro a vacina contra a meningite B está sendo reposta nas clínicas e recomendou que, por enquanto, a prioridade seja de pacientes que precisam tomar a segunda dose.

Tratamento agressivo
A doença não é nada rara nas emergências infantis. E, embora a vacina seja uma importante arma na prevenção, não há 100% de garantia. Isso porque os agentes causadores da meningite vivem dentro do organismo e se aproveitam de uma deixa do sistema imunológico para atacar.

Assim, quando a vacina falha, o que faz a diferença na vida do paciente é o tratamento rápido e agressivo. “Não dá para ficar tão preocupado assim com prevenção. A vacina é importante, recomendada e deve ser dada. Mas o mais importante é a abordagem clínica”, explica o especialista Pedro Henrique Reis, pediatra infectologista do Hospital da Criança.

Isabella Ballalai, da SBIm, vai pela mesma linha, mas frisa a importância da vacinação, independentemente de notícias de casos recentes ou surtos.

Não é preciso pânico. Não estamos vivendo surto de meningite em nenhum lugar do Brasil hoje. Prevenir tem de ser rotina. Não pânico."
Isabella Ballalai

Sintomas
Os primeiros sinais de meningite, quando manifestados, são facilmente confundidos com os sintomas típicos da gripe. Eles geralmente aparecem de algumas horas até dois dias após a infecção. Os sintomas podem variar para cada tipo da doença. Os mais comuns são: febre alta repentina, forte dor de cabeça, pescoço rígido, vômitos, convulsões, falta de apetite e presença de manchas vermelhas na pele. Porém, alguns casos podem até mesmo ser assintomáticos, dificultando o diagnóstico.