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“Sonho voltar a enxergar, ver as coisas, as pessoas, ter liberdade em andar sozinha”. Esse é o relato da servidora pública e atleta de corrida Ana Lúcia Medeiros Paiva, de 34 anos. Desde 2002, ela sofre com a doença de Stargardt, que provoca perda gradativa da visão e não tem tratamento no Brasil.

Ana Lúcia recorreu a um procedimento de implante de retina nos Estados Unidos, que pode devolver parcialmente sua visão. A operação custa em média US$ 100 mil (cerca R$ 350 mil). Sem condições para bancar a cirurgia, a atleta e sua prima criaram uma campanha na internet para arrecadar fundos.

Mesmo com apenas 3% da visão, Ana Lúcia mantém uma rotina cheia de atividades: estuda para concurso pela manhã, trabalha durante tarde e, duas vezes por semana, treina para as corridas.

“Consegui me estabelecer, mas só vejo vultos. Quero muito voltar a enxergar. É muito difícil pegar um ônibus sem pedir ajuda, pedalar sem ter companhia, correr sem um guia e até mesmo estudar sozinha”, relatou a atleta.

Confira fotos da atleta:

 

Além da campanha, familiares e amigos da jovem fizeram camisetas e rifas para vender nas provas que ela disputar. À reportagem, a servidora pública contou que em agosto vai ao Rio de Janeiro participar de uma corrida e busca arrecadar mais dinheiro.

A vaquinha termina no fim de 2018. “Infelizmente, já perdi a visão e posso esperar um pouco. Pretendo juntar o valor da campanha e do meu plano de saúde para ir aos Estados Unidos e ter a chance de enxergar de novo”, afirmou.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que realmente não há tratamento disponível para a enfermidade. Segundo o órgão, essa é uma doença ocular degenerativa e hereditária. Atualmente, existem pesquisas para o tratamento de algumas dessas doenças degenerativas da retina, porém sem respaldo científico. A pasta orienta o uso de auxílio óptico para os portadores de baixa visão.

A Secretaria destacou ainda que o atendimento aos pacientes portadores de Doença de Stargardt no DF é realizado por oftalmologistas especialistas em retina. A consulta é agendada na unidade básica de saúde mais próxima da residência do paciente por meio do Sistema de Regulação de Consulta Ambulatorial.

 

 

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