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Enquanto a Polícia Civil investiga o motivo que levou o ex-vigilante Elson Martins da Silva, 39 anos, a matar a própria mulher e depois suicidar-se na noite de terça-feira (6/3), a família de Romilda Souza, 40, tenta controlar a dor da perda.

Em desabafo no Facebook, Rachel Torres lamentou a morte da irmã. “Estamos sentido muito a sua falta”, disse. Em seguida, listou as qualidade da mulher, mãe e profissional: “Você era sol, luz, era calmaria…”. Romilda vai ser enterrada nesta quarta (7), mas a família pediu que não fosse divulgado o horário nem o local.

O casal estava em casa, um apartamento na 406 Sul, juntamente com os dois filhos. As crianças, entretanto, não assistiram ao assassinato e ao suicídio.

Reprodução/Facebook

 

O condomínio do prédio onde moravam Elson e Romilda divulgou nota de pesar lamentando a morte do casal e se solidarizando com os filhos e a família da mulher, em função do “crescente número de assassinatos de mulheres”.

O crime ocorreu no terceiro andar do Bloco C da 406 Sul. No texto, o síndico Paulo Roberto Melo destaca que a moradora “foi vítima da intolerância e da falta de respeito com uma esposa, que dedica parte de seu tempo para o bem da sua família”.

Reprodução

 

 

Feminicídio
A Polícia Civil já identificou de quem é a arma utilizada por Elson, um revólver calibre 38. Segundo o delegado-chefe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), João de Ataliba Neto, a motivação do assassinato ainda não está esclarecida. Até o momento, a PCDF conta com a informação de que o casal estava se separando. O nome do dono do revólver não foi divulgado para não atrapalhar as investigações.

Depoimentos serão tomados e a perícia feita no local vai explicar a dinâmica do crime. O caso está sendo investigado como feminicídio seguido de suicídio.

De acordo com o delegado, não existe histórico de violência doméstica entre o casal e o homem não possuía passagens policiais. “Pretendemos apurar como a arma de fogo chegou até o autor e qual foi a motivação para os atos praticados. Aguardamos a conclusão dos laudos periciais de local e de confronto balísticos e a elaboração dos laudos de necropsia. Acreditamos que a investigação será encerrada no prazo legal de 30 dias”, destacou.

Cinco disparos
Quando os bombeiros chegaram ao local, a mulher já havia morrido, mas o homem ainda respirava. Os militares tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu. Conforme informações da Polícia Militar, a arma foi apreendida no local. Ao todo, foram ouvidos cinco disparos.

Os dois filhos, de 3 e 4 anos, estavam na casa. Romilda era funcionária do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Elson, ex-vigilante, trabalhava na lotérica que tinha com a esposa, no Paranoá. 

 

Filhos estavam em casa
Segundo informações dos bombeiros, a mulher foi assassinada no quarto, com ao menos dois tiros. Depois, o companheiro se matou com um disparo na cabeça. Além dos filhos do casal, a mãe de Romilda também estava na casa na hora da tragédia.

As crianças e a idosa não chegaram a presenciar o assassinato, pois estavam na sala no momento do crime, mas ouviram os disparos. Depois, os três desceram correndo e se esconderam na casa de um vizinho no segundo andar.

Parte do prédio foi isolada pela Polícia Civil, para perícia. Até o fim da noite, os agentes ainda estavam no apartamento da família. Paulo Melo, síndico do bloco, disse que os dois aparentavam ser tranquilos. “Nunca vi nenhuma briga deles. Recentemente, trocaram de carro e pareciam felizes”, afirmou.

Já um porteiro do edifício disse que Romilda chegou do trabalho no fim da tarde, estacionou o carro, um Toyota SW4, e subiu. Ainda de acordo com o funcionário do prédio, Elson era muito tranquilo e calado, mas nessa terça (6) estava extremamente agitado. Antes do crime, chegou a sair e a voltar três vezes de moto, o que não fazia parte da rotina dele.

Um amigo da família contou à reportagem que o casal estava em processo de separação. Até a última atualização desta reportagem, o motivo do crime não havia sido esclarecido.