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Distrito Federal

Renata D’Aguiar quer benefício para mães atípicas que perdem os filhos.

Em entrevista, a deputada eleita falou sobre sua trajetória, as propostas para o mandato e a importância da representatividade feminina

14/10/2026 21:00, atualizado 14/10/2026 21:02
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Renata Daguiar Republicanos deputada distrital eleita, durante entrevista no estudio do portal Metropoles 1

A recém eleita deputada distrital Renata D’Aguiar  (Republicanos), 37 anos, afirmou que terá como prioridade na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) a garantia dos direitos da população. Em entrevista ao Metrópoles, realizada nessa terça-feira (13/10), a parlamentar falou sobre sua trajetória, as propostas para o mandato e a importância da representatividade feminina na política.

“Eu falo que a prioridade é garantir direitos, porque eu não consigo falar só da saúde e deixar a educação de lado. Ao mesmo tempo, eu, que sou mulher e sei a importância de valorizar quem cuida, não posso deixar jamais as mulheres de lado. A gente precisa fortalecer e ser a voz das mulheres, que ainda são minoria na política”, declarou.

Assista a entrevista completa: 

A parlamentar defendeu a criação de um benefício de transição destinado a mães atípicas que perdem os filhos. A proposta, segundo ela, surgiu da experiência que teve como subsecretária de Promoção das Mulheres e do contato com mulheres que dedicaram anos ao cuidado dos filhos, abriram mão da carreira profissional e, em alguns casos, foram abandonadas pelos companheiros.

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“Eu defendo um benefício de transição para essa mãe atípica que perdeu esse filho, que está passando por esse luto, por um luto financeiro, para que o Estado dê suporte, para que essa mulher possa se restabelecer, para que ela possa voltar à sua vida”, afirmou.

Ela disse que pretende discutir formas de acolher essas mulheres e oferecer condições para que reconstruam a própria autonomia.

Eleições 2026

Renata foi eleita deputada distrital com 28.172 votos, e exercerá seu primeiro mandato na CLDF a partir de 2027.

Auditora federal do Tesouro Nacional e fundadora do Instituto Reciclando o Futuro, Renata foi Subsecretária da Mulher durante o governo Ibaneis Rocha, entre 2023 e 2026. Também exerceu o cargo de diretora do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do governo federal.

A trajetória eleitoral de Renata começou em 2018, quando disputou uma vaga na Câmara Legislativa pela primeira vez e recebeu cerca de 4 mil votos. Em 2022, voltou a concorrer e ampliou a votação para quase 12 mil votos. Nas duas ocasiões, ficou como suplente.

Ao comentar a eleição de 2026, Renata afirmou ter observado um cenário de forte polarização política, mas disse não se identificar com esse tipo de postura. Agora eleita, a deputada pretende levar ao parlamento o trabalho que já desenvolvia fora da CLDF e atuar em áreas como saúde, educação e gestão dos recursos públicos.

“Daqui a quatro anos, gostaria de ser lembrada como uma parlamentar de resultado, de entrega, que está ali no dia a dia da população, que combate as dores da população”, declarou.

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Atendimento a pessoas neurodivergentes

Uma das pautas que Renata pretende priorizar é a ampliação do atendimento às pessoas neurodivergentes. Diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA), com necessidade de suporte nível 1, e altas habilidades, a deputada eleita afirmou que a experiência pessoal contribuiu para ampliar sua compreensão sobre o tema.

Ela defendeu facilitar o acesso ao diagnóstico de autismo para crianças, adolescentes e adultos, além de garantir acompanhamento após a identificação da condição.

“Um dos pontos muito importantes para mim é a gente buscar facilitar o acesso ao diagnóstico para a criança, para o jovem e para o adulto. Não adianta a gente só entregar o diagnóstico e não ajudar aquela pessoa a conseguir lidar com ela mesma”, afirmou.

Na educação, a parlamentar defendeu o fortalecimento da educação inclusiva, com a presença de equipes multidisciplinares nas escolas, incluindo psicólogos e fonoaudiólogos.

Para ela, é necessário oferecer suporte tanto aos estudantes com necessidades específicas quanto aos professores, que, segundo ela, muitas vezes estão sobrecarregados e não receberam formação adequada para lidar com essas demandas.

Renata também apontou a necessidade de avaliar a capacidade e ampliação de atendimento dos centros de ensino especial do Distrito Federal.

Representatividade feminina e rede de apoio

Ao falar sobre a presença das mulheres na política, Renata afirmou que a sobrecarga com as responsabilidades domésticas e familiares está entre os principais obstáculos à participação feminina em espaços de poder.

Para a deputada eleita, o Estado precisa ampliar essa estrutura, inclusive com a oferta de creches, para que mais mulheres consigam conciliar a maternidade, a vida profissional e a participação política.

Renata também afirmou que a presença feminina em cargos eletivos é importante para ampliar a representação das mulheres e demonstrar que elas estão preparadas para ocupar diferentes espaços de poder.

Ela relatou ter enfrentado situações em que precisou demonstrar mais conhecimento e capacidade para obter o mesmo respeito que colegas homens.

“É sempre uma responsabilidade maior quando a gente ocupa lugares de destaque, para que a gente realmente entregue o melhor para nossa sociedade e que, daqui a um tempo, a gente não precise mais se provar duas, três vezes mais para que a gente seja respeitada na mesma proporção que um homem”, declarou.

Combate a violência de gênero

O enfrentamento à violência de gênero também foi apontado como uma das prioridades do mandato. Com experiência na área de promoção dos direitos das mulheres, Renata defendeu ações que combinem o combate imediato à violência com medidas de prevenção, especialmente por meio da educação.

A deputada eleita também defendeu a integração entre diferentes secretarias do Governo do Distrito Federal (GDF), com recursos e estrutura suficientes para fortalecer a rede de proteção às vítimas.

Renata afirmou ainda que o atendimento às vítimas precisa ser integrado, de modo que elas não tenham de repetir diversas vezes os relatos de violência ao procurar diferentes órgãos públicos.

“Precisamos de uma política integrada e de um Estado eficiente, que realmente acolha essa mulher e combata a revitimização. A mulher precisa poder relatar uma única vez o que aconteceu, para que o Estado ofereça acolhimento e assistência, sem que ela tenha de repetir seu relato diversas vezes em diferentes equipamentos públicos”, pontuou.