Arquidiocese de Brasília e CNBB ignoram visita do patriarca da Igreja Ortodoxa Russa

O líder de 150 milhões de fiéis cristãos, mas não católicos, esteve num igreja simples na L4 Sul e foi recebido por russos, ucranianos, brasileiros, sírios e libaneses

atualizado

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1 de 1 patriarca-visita - Foto: Renato Ferraz/Metrópoles

 

Cirilo I, o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, chegou à pequena Igreja do Acampamento, na sexta-feira (19/2), em um utilitário-esportivo japonês com a placa PAZ. Deu um pequeno “castigo” de 2h30 aos fiéis e só apareceu depois que foi recebido pela presidente Dilma Rousseff.

Mas, apesar da paz que o fez se encontrar com o papa Francisco em Cuba, há quatro dias — e um milênio depois do cisma que separou cristãos católicos e ortodoxos —, foi solenemente ignorado pela Arquidiocese de Brasília e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

As duas entidades foram convidadas há pelo menos três meses, segundo uma fonte relatou ao Metrópoles — o portal tentou ouvir neste sábado as duas instituições, mas não obteve retorno.

Em compensação, Cirilo I foi aclamado por cristãos ortodoxos russos, bielorussos, sírios, libaneses, ucranianos e, claro, brasileiros. Pelo menos 150 pessoas se aglomeram, sob um calor intenso, na igreja da paróquia Santa Maria do Verdadeiro Caminho, no Acampamento Saturnino de Brito, na Avenida das Nações, em frente à embaixada da China.

Emoção
O padre Francisco — nascido em Buriti dos Lopes, na região do Delta do Parnaíba, no Piauí, em 1952 — chorou duas vezes: logo ao ver o patriarca Cirilo (ou Kirill) e ao discursar e agradecer a visita:

Sua santidade veio a uma gruta pobre, mas cheia de fé

Padre Francisco

Ganhou dois presentes do patriarca (imagem da santa que dá nome à igreja e um quadro) e palavras de incentivo à propagação da fé ortodoxa.

Coral
A atração extra da visita foi o coral da Diocese de Moscou, formado por padres ortodoxos. Por quase uma hora, eles cantaram várias canções russas e ucranianas, sacras ou populares, e até infantis — do tipo da nossa “Escravos de Jó”.

A mais aplaudida foi “A lenda dos 12 ladrões” — que espalhavam o terror pela Rússia e pela Ucrânia e, quando anoitecia, fugiam para dormir e descansar em tendas nas florestas.

Porém, o chefe da gangue, Kodia, recebe em sonho uma mensagem e sai da tenda empunhando um crucifixo. Sua conversão e dos demais levou-os a se recolherem a um mosteiro, onde, por fim, se tornaram monges.

Essa é a primeira vez que Cirilo I visitou o Distrito Federal. No início da semana, ele esteve em Havana, Cuba, para se reunir com o papa Francisco. Foi o primeiro encontro entre os líderes de dois dos principais ramos do cristianismo desde sua separação, no ano de 1054.

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