Reginaldo Sardinha nega envolvimento em caso de desvio de dinheiro

Ex-deputado distrital e atual administrador regional disse que está à disposição das autoridades; MPDFT deflagrou operação nesta quinta (11)

atualizado

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1 de 1 Reginaldo Sardinha - Metrópoles - Foto: Reprodução / Redes sociais

O ex-deputado distrital Reginaldo Sardinha negou envolvimento com as supostas irregularidades investigadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), na segunda fase da Operação Armlock. Ele ocupa atualmente o cargo de administrador regional do Sudoeste e da Octogonal.

A Vice-Procuradoria-Geral de Justiça e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagraram a operação nesta quinta-feira (11/9). Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Goiás. O MPDFT investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro público.

Segundo Sardinha disse que sua citação na operação causa estranheza, pois ele deixou a função parlamentar desde 2022, exercendo funções no executivo local sem qualquer vinculação com emendas parlamentares.

O administrador afirmou que tem “compromisso com a transparência, a ética e a correta aplicação dos recursos públicos, estando à disposição para qualquer esclarecimento junto as autoridades”. Ele também disse ter confiança que as investigações demonstrarão a lisura de sua atuação quando no exercício da função parlamentar.

Segundo Sardinha, durante o exercício de seu mandato distrital, destinou emendas parlamentares para dezenas de instituições que fomentavam o esporte e lazer no DF. “Após a indicação da emenda parlamentar, a execução e fiscalização cabe aos órgãos do executivo, sem intervenção do parlamentar”, completou.

A coluna de Mirelle Pinheiro apurou que Sardinha e a ex-secretária de Esporte e Lazer Giselle Ferreira de Oliveira, atual secretária da Mulher, são investigados.

Jiu-Jitsu

Os promotores averiguam um suposto esquema de desvio de recursos públicos no âmbito de parcerias celebradas pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (SEL/DF) com a Associação Centro-Oeste Jiu-Jitsu (COJJ), apontada como entidade de fachada. O grupo é suspeito de praticar peculato, corrupção ativa e passiva, fraude em procedimentos administrativos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com as apurações, a COJJ teria sido utilizada apenas para abrir caminho ao acesso de verbas públicas, que depois eram desviadas para custear eventos privados da Federação Brasiliense de Jiu-Jitsu Desportivo (FBJJD) e, em parte, apropriadas por integrantes da organização criminosa.

Segundo o MP, empresas ligadas ao esquema forneciam orçamentos falsos, notas fiscais superfaturadas ou frias, inflando artificialmente os valores a serem pagos pela Secretaria. Assim, os investigados conseguiam empenho e repasse de quantias muito superiores ao necessário. O excedente era repartido entre servidores públicos, empresários e dirigentes esportivos envolvidos.

A investigação aponta que servidores da SEL-DF tinham papel ativo na organização. Eles autorizavam, acompanhavam e validavam os processos administrativos desde o protocolo até a liberação dos repasses.

No centro do esquema está Francisco Grisolia Santoro, presidente de fato da FBJJD, descrito como o principal articulador das manobras ilegais. Ele teria contado com apoio da então secretária de Esporte e Lazer, Giselle Ferreira de Oliveira, supostamente responsável por validar expedientes fraudulentos e contornar entraves legais, além de atuar em alinhamento direto com Santoro.

Outro político citado é o ex-deputado distrital Reginaldo Rocha Sardinha, que teria direcionado emendas parlamentares para projetos simulados pela COJJ. Em contrapartida, recebia percentual dos valores liberados.

A ação contou também com o apoio do Departamento de Combate à Corrupção (DECOR), da Corregedoria da Polícia Civil e do Gaeco do Ministério Público de Goiás.

O que dizem os demais investigados

Em nota, Giselle Ferreira reiterou sua total confiança na lisura, integridade e legalidade de todos os processos administrativos conduzidos durante sua gestão à frente da Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal. Ela disse que reforça seu compromisso com a transparência e a ética na gestão pública, “princípios que sempre norteiam sua atuação”.

A secretária afirmou ainda “confia nos órgãos de controle e coloca-se inteiramente à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, colaborando com total abertura e responsabilidade institucional”.

Já a Secretaria de Esporte e Lazer informou que acompanha o trabalho das autoridades competentes e está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. A pasta reafirmou seu compromisso com a “transparência, a legalidade e a boa aplicação dos recursos públicos adotando medidas de governança e controle para garantir o correto uso das parcerias e contratos celebrados”.

A Associação Centro-Oeste de Jiu-Jitsu informou que “não possui qualquer vinculação com a Federação Brasiliense de Jiu-Jitsu Desportivo”. Além disso, ressaltaram, em nota, que todos cinco eventos realizados pela associação possuem “documentos comprovados, com as prestações de contas aprovadas”. O COJJ ainda afirma que estará a disposição da Justiça ou de qualquer órgão público para prestar esclarecimentos dos fatos.

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