Redução de 61% em castrações acende alerta sobre superpopulação de animais nas ruas do DF

Demanda reprimida é grande e Brasília Ambiental afirma que trabalha para aumentar o número de clínicas disponíveis

atualizado 31/01/2021 12:42

cachorrosBrasília Ambiental/Reprodução

Após se ver obrigado a reduzir em 61% o número de castrações de animais domésticos no Distrito Federal por causa da pandemia da Covid-19, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) tem organizado campanhas já no início deste ano para tentar suprir a demanda. Mais do que apenas garantir que o cachorro ou gato fique menos estressado, o procedimento ajuda a controlar a população desses animais.

Desde 2017, mais de 20 mil cães e gatos já foram castrados pelo órgão, tanto utilizando o chamado Castramóvel, veículo adaptado para a realização das cirurgias, quanto por meio de clínicas credenciadas.

“A gente sabe que a demanda é grande. Tanto que já estamos com um edital aberto para chamar mais clínicas que nos ajudem. Hoje há apenas uma no Gama e temos ciência de que a parte norte do DF tem dificuldade de se deslocar”, comenta Thulio Moraes, secretário-geral do Brasília Ambiental.

Nesta segunda-feira (1º/2), um novo cadastro com mil vagas para castração será realizado – é o segundo mutirão do ano. A previsão é de o resultado saia no dia 4 e as cirurgias aconteçam entre os dias 11 de fevereiro e 26 de março.

“A logística que temos no momento é essa. Vamos lançar um formulário na internet e os primeiro que se inscreverem são chamados. Sabemos que não é o ideal, antes realizávamos de maneira presencial, mas a pandemia não permite que tenhamos filas”, explica o representante do Ibram.

Veja o balanço dos procedimentos realizados em 2020: 

Uma clínica por região

Quem comemora a volta das cirurgias em 2021 é a protetora animal Larissa Queiroz, 45 anos. “Nós, dos grandes plantéis, continuamos sendo atendidos pelo Brasília Ambiental, mas sabemos que somos afetados diretamente [pela redução das castrações]. Se uma cadela fica prenha e o dono não quer os filhotes, muitas vezes eles acabam indo para a gente”, explica.

Outra situação muito comum ao longo do ano de 2020, diz, foi ceder a vaga para o animal de outra pessoa. “Gente mais necessitada, que não tem dinheiro para pagar a cirurgia, dávamos preferência. Ao invés de levar um dos nossos, levava o cão ou gato de outra pessoa para fazer o procedimento, a fim de ajudar”, lembra.

Larissa reclama da distância até o local de realização das operações. Moradora de Planaltina, ela precisa fazer uma viagem de 170 quilômetros, ida e volta, até o Gama para levar os animais que necessitam da castração. “Estamos torcendo para que mais clínicas se inscrevam no edital, mas sabemos que o valor pago é baixo. O ideal seria ter uma para cada região do DF”, sugere.

Lucimar Aparecida, 47, idealizadora do Projeto Acalanto DF, lembra que o número de vagas não costuma ser o suficiente. “Contamos com veterinários parceiros para castrar. Fazemos o débito e depois postamos nas redes sociais pedindo ajuda para quitar [a conta com os profissionais]”, comenta.

Outra alternativa é realizar uma feira de adoção. Neste final de semana, ela participa de um desses eventos, no shopping Casa Park.

Segundo Lucimar, o problema ainda é muito grande, principalmente graças à ignorância de parte da população sobre a necessidade da castração. “Temos duas grandes vertentes: educar a sociedade sobre a importância da castração e batalhar junto ao Estado para ampliar parcerias com clínicas, no intuito de a cirurgia ser feita em todas as cidades do DF”, defende.

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Só benefícios

O professor de medicina veterinária do UniCeub, Bruno Alvarenga, afirma que a cirurgia só traz benefícios aos cachorros e gatos, desde que se leve em consideração alguns pontos importantes. “A idade, por exemplo. A castração é contraindicada a animais antes dos 5 meses de vida, pois atrapalha no desenvolvimento do corpo deles. Nas cadelas, diminui muito o risco de câncer”, destaca.

Além da consequência óbvia do controle populacional, Bruno lembra que existem mais motivos para submeter o animal ao procedimento. “Evita uma doença sexual, eles ficam mais mansos… Tirando uma possível dor após a cirurgia, a castração não muda em absolutamente nada a vida deles”, encerra o especialista.

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