Projeto social Filhos da Nação usa canoagem para mudar história de crianças vulneráveis

Criado em 2017 após a perda de uma filha, casal atende mais de 300 jovens de casas de acolhimento em parceria com TJDFT

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Projeto Filhos da Nação. Brasília (DF) 14/01/26. Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
1 de 1 Projeto Filhos da Nação. Brasília (DF) 14/01/26. Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O projeto social Filhos da Nação celebrou nesta quarta-feira (14/1), no clube da Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados (Ascade), o batismo de 10 novas canoas adquiridas via Lei de Acesso ao Esporte, que passam a integrar as atividades esportivas e de acolhimento oferecidas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no Distrito Federal.

Em um ritual havaiano, cada canoa recebeu um nome com significado simbólico — empatia, amor, gratidão, respeito, coragem e responsabilidade. Mais do que identificar os equipamentos, os nomes representam valores trabalhados diariamente com os participantes e que, segundo os idealizadores, devem acompanhar essas crianças para além do tempo vivido no projeto.

O Filhos da Nação foi fundado em 2017 pelo casal Tiago Souza, 46 anos, e Gabriela Spezialli, após a perda da filha ainda durante a gestação. Do luto, surgiu a decisão de transformar a dor em acolhimento coletivo.

“A gente entendeu que não conseguiria adotar apenas uma criança. Então surgiu o desejo de adotar o máximo possível, de forma simbólica, oferecendo cuidado, presença e oportunidade”, explica Tiago.

Projeto social Filhos da Nação usa canoagem para mudar história de crianças vulneráveis - destaque galeria
5 imagens
Batismo de canoas marca novo capítulo do projeto Filhos da Nação, que usa o esporte como ferramenta de acolhimento e transformação social no DF
Idealizadores, voluntários e jovens atendidos se reuniram para celebrar valores como respeito e gratidão, pilares do projeto Filhos da Nação
Canoas batizadas com nomes como empatia, amor e coragem reforçam os valores ensinados a crianças e adolescentes atendidos pelo Filhos da Nação
Evento no clube Ascade celebrou o batismo de 10 novas canoas, que passam a integrar as atividades do projeto social no Distrito Federal
Criado a partir do luto, o Filhos da Nação transforma dor em cuidado coletivo, atendendo jovens em situação de vulnerabilidade sociaL
1 de 5

Criado a partir do luto, o Filhos da Nação transforma dor em cuidado coletivo, atendendo jovens em situação de vulnerabilidade sociaL

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Batismo de canoas marca novo capítulo do projeto Filhos da Nação, que usa o esporte como ferramenta de acolhimento e transformação social no DF
2 de 5

Batismo de canoas marca novo capítulo do projeto Filhos da Nação, que usa o esporte como ferramenta de acolhimento e transformação social no DF

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Idealizadores, voluntários e jovens atendidos se reuniram para celebrar valores como respeito e gratidão, pilares do projeto Filhos da Nação
3 de 5

Idealizadores, voluntários e jovens atendidos se reuniram para celebrar valores como respeito e gratidão, pilares do projeto Filhos da Nação

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Canoas batizadas com nomes como empatia, amor e coragem reforçam os valores ensinados a crianças e adolescentes atendidos pelo Filhos da Nação
4 de 5

Canoas batizadas com nomes como empatia, amor e coragem reforçam os valores ensinados a crianças e adolescentes atendidos pelo Filhos da Nação

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Evento no clube Ascade celebrou o batismo de 10 novas canoas, que passam a integrar as atividades do projeto social no Distrito Federal
5 de 5

Evento no clube Ascade celebrou o batismo de 10 novas canoas, que passam a integrar as atividades do projeto social no Distrito Federal

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Atualmente, o projeto atende a 306 crianças e adolescentes, com idades entre 5 e 18 anos, todos oriundos de casas de acolhimento institucional. A iniciativa funciona em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e a Vara da Infância e da Juventude.

“Não é um projeto em que a criança se inscreve. São meninos e meninas que já passaram por rupturas familiares importantes e vivem sob proteção do Estado. Nosso trabalho só é possível porque existe uma relação sólida com o Judiciário”, destaca o coordenador.

As atividades ocorrem em diferentes regiões administrativas, como Ceilândia, Taguatinga, Sobradinho, Brazlândia e Núcleo Bandeirante, além de ações mensais em instituições mais distantes. Entre os esportes oferecidos, a canoagem tem papel central — para muitos participantes, é o primeiro contato com o Lago Paranoá.

Primeiro contato com o Lago

É o caso de um adolescente de 14 anos, acolhido no Lar São José, em Ceilândia. No projeto há cerca de seis meses, ele conta que sempre teve curiosidade pela canoagem, esporte que conhecia apenas pela televisão.

“Eu só via nas Olimpíadas. Quando entrei aqui, fiquei com medo no começo, mas depois descobri uma paixão. Sinto que sou um dos melhores entre meus colegas e que posso me tornar um atleta”, relata.

Projeto social Filhos da Nação usa canoagem para mudar história de crianças vulneráveis - destaque galeria
4 imagens
Crianças e adolescentes dizem que passaram a ver a vida de forma mais colorida após o contato com o esporte e o acolhimento
Mais do que esporte, a canoagem representa liberdade, pertencimento e novas possibilidades para os participantes do Filhos da Nação
No Lago Paranoá, crianças e adolescentes vivenciam o primeiro contato com a canoagem, em ação promovida pelo projeto Filhos da Nação
Crianças e adolescentes atendidos pelo projeto Filhos da Nação compartilham sonhos — entre eles, o de se tornarem atletas por meio da canoagem
1 de 4

Crianças e adolescentes atendidos pelo projeto Filhos da Nação compartilham sonhos — entre eles, o de se tornarem atletas por meio da canoagem

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Crianças e adolescentes dizem que passaram a ver a vida de forma mais colorida após o contato com o esporte e o acolhimento
2 de 4

Crianças e adolescentes dizem que passaram a ver a vida de forma mais colorida após o contato com o esporte e o acolhimento

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Mais do que esporte, a canoagem representa liberdade, pertencimento e novas possibilidades para os participantes do Filhos da Nação
3 de 4

Mais do que esporte, a canoagem representa liberdade, pertencimento e novas possibilidades para os participantes do Filhos da Nação

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
No Lago Paranoá, crianças e adolescentes vivenciam o primeiro contato com a canoagem, em ação promovida pelo projeto Filhos da Nação
4 de 4

No Lago Paranoá, crianças e adolescentes vivenciam o primeiro contato com a canoagem, em ação promovida pelo projeto Filhos da Nação

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Outra participante de 12 anos, também acolhida no Lar São José, começou a participar do Filhos da Nação em setembro do ano passado e afirma que a iniciativa teve impacto direto em sua saúde emocional.

Antes de entrar no projeto, a adolescente enfrentava um período de tristeza profunda e isolamento, agravado por perdas familiares. Segundo ela, o contato com o esporte e a convivência com outras crianças foram fundamentais no processo de recuperação.

“Depois que comecei a remar, eu fui melhorando muito, parando de me machucar. Aqui eu conheci pessoas, fiz amizades e comecei a ver o mundo mais colorido”, conta.

Parceiros que ampliam o alcance social

O impacto do projeto também é reconhecido por parceiros e voluntários. Presente no evento, o presidente da Federação Brasiliense de Canoa Havaiana (FEB VAA), João Marcelo Marins, destacou o caráter transformador da iniciativa.

“O projeto abre o Lago para quem, historicamente, nunca teve acesso a esse espaço. Não se trata apenas de formar atletas, mas de formar cidadãos, com valores que vão muito além do esporte”, afirmou.

A FEB VAA é a entidade responsável por organizar, regulamentar e fomentar a prática da canoa havaiana no Distrito Federal, atuando tanto no esporte de rendimento quanto em ações de inclusão social.

Voluntários que se identificam com o projeto atuam como doadores de tempo, afeto e lazer. Entre eles está o artista e educador social Dudu Mano MC, morador da Ceilândia e integrante do projeto Gigantes de Rua, que reforça a importância da união entre esporte, cultura e acolhimento como ferramentas de mudança social.

“A gente usa o hip hop e o esporte para mostrar que existe outro caminho. A ideia é que essas crianças não precisem seguir o caminho errado para se sentirem pertencentes”, destacou.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?