Professor que agrediu aluno em escola do Guará é afastado por 60 dias

Coordenação Regional de Ensino do Guará também informou, nesta 3ª feira, que optou por transferir de escola alunos envolvidos no ocorrido

atualizado

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1 de 1 professor tapa- escola Guará - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A Corregedoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) afastou, nesta terça-feira (8/7), o professor de sociologia Adão Aparecido de Oliveira, envolvido em uma confusão em sala de aula com estudantes do Centro Educacional (CED) 3 do Guará. Um dos alunos provocou o professor e acabou agredido por ele.

Como medida cautelar para investigação do caso, o professor foi afastado de sala de aula por 60 dias, com possibilidade de prorrogação por mais dois meses. Apesar disso, o educador não terá prejuízos na remuneração.

A Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Guará informou, ainda nesta terça-feira (8/7), que optou por transferir de escola os alunos envolvidos na confusão. A equipe gestora da escola os atendeu junto aos respectivos responsáveis e, em reunião com as famílias, definiu a mudança dos jovens para outro colégio.

Apoio de professores

Professores do CED 3 divulgaram uma nota em apoio a Adão, que trabalha no colégio há 22 anos. “É questão de justiça que a comunidade escolar e as autoridades competentes levem em consideração o bom histórico do profissional – nunca tendo sido investigado em procedimentos apuratórios por má conduta nem por questão alguma”, diz trecho do texto.

“Ao longo da trajetória como educador, ele sempre teve imagem e conduta ilibadas, comprometido com o ofício há 22 anos na SEEDF e, desde 2006, lotado nesta unidade escolar [CED 3]. […] Ressaltamos que se trata de um professor altamente preparado e correto nas atividades pedagógicas. Em nenhuma outra ocasião há registros de quaisquer intercorrências que envolvam o docente nas atribuições dele”, acrescenta a nota.

O documento também diz que integrantes do Conselho Escolar do colégio corroboram a “excelente conduta do professor na execução das atividades pedagógicas, em sala de aula, nos projetos interdisciplinares e na convivência diária”. “Ele sempre teve postura respeitosa, colaborativa e irrepreensível, em conformidade com o desenvolvimento das iniciativas escolares”, completa.

O Sindicato dos professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) manifestou solidariedade a todos os educadores vítimas de violência nas escolas e cobrou da SEEDF ações efetivas para garantir a segurança e a valorização dos profissionais.

“Faz-se urgente fortalecer a gestão democrática para assegurar a integridade física, moral, emocional e profissional de quem atua no chão da escola e criar um ambiente de respeito mútuo e proteção a quem faz a escola pública acontecer todos os dias”, destacou o Sinpro-DF.

Relembre o caso

Testemunhas da confusão contaram que o adolescente agredido e alguns colegas se reuniram para “rezar” durante a aula, em uma tentativa de debochar do professor, que é ateu. O educador, então, se irritou e partiu para cima do grupo.

Um dos estudantes filmou parte da briga com o celular. No vídeo, é possível ouvir alguns alunos rirem da situação. A gravação, publicada nos Stories do Instagram, também caçoava do fato de celulares serem proibidos nas escolas.

“E o problema nas escolas é o celular. Imagina se não tivesse gravado”, diz a legenda, seguida de emojis de risadas.

Veja imagens:

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Nas imagens obtidas pelo Metrópoles, é possível ver o docente encurralar o estudante no fundo da sala de aula. Na sequência, ele dá um tapa no jovem.

Após a agressão, o adolescente dá risada e debocha outra vez: “Oxe. Você vai me bater?”, enquanto o servidor responde, em tom de voz alterado. “Se você me desrespeitar, eu vou. Você está me desrespeitando”, diz Adão.

Ao tomar conhecimento do caso, a CRE do Guará determinou o afastamento imediato do servidor e encaminhou o caso para a Corregedoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

A reportagem não conseguiu contato com o professor, mas o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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