Por medo de greve dos caminhoneiros, empresários do DF se mobilizam para evitar desabastecimento

Alguns setores já começaram a se movimentar para que não faltem insumos necessários à manutenção de suas atividades comerciais

atualizado 28/01/2021 10:04

Michael Melo/Metrópoles

O anúncio de uma possível paralisação dos caminhoneiros no dia 1º de fevereiro deixou alguns setores do comércio do Distrito Federal em alerta. Donos de restaurantes, bares e postos de combustíveis se preocupam com a iminência de novos casos de desabastecimento, a exemplo do que ocorreu na última vez que a categoria cruzou os braços.

“Se faltar produto, seremos obrigados a fechar de novo”, diz Jael Antonio da Silva, presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar). “Além da questão do abastecimento, existe o fato de que estamos no meio de uma pandemia. Já temos problemas de estoque e os preços tiveram que subir muito.”

De acordo com Silva, alguns estabelecimentos comerciais já estão se mobilizando para guardar produtos, caso a situação realmente venha a ocorrer. Ele diz também que os comerciantes estão “torcendo” para que a greve não passe de um alerta.

Segundo Paulo Tavares, presidente do Sindcombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do DF), haverá interrupção no abastecimento apenas se houver bloqueio das estradas. “Boa parte do setor, hoje em dia, possui caminhão próprio. Achamos que, desta vez, não haverá engajamento na greve. Além disso, boa parte da gasolina vem de duto. Não deve haver problema, a não ser que as vias sejam bloqueadas.”

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Para Roberto Piscitelli, professor de finanças públicas da Universidade de Brasília, há muitas considerações a respeito da possível greve.

“Há indefinição sobre a greve em si, até porque existe muita divisão entre os possíveis ou prováveis representantes da categoria”, aponta. Ele destaca, porém, que, assim como em 2018, seria um evento de várias consequências.

“Por extensão, atinge o pessoal de alimentos também. Poderia não chegar às prateleiras, e há risco para nossas exportações de grãos. É uma crise que implica muitas consequências e tem muitos desdobramentos em vários setores”, pondera o economista.

Reunião no Ministério da Economia

Após reunião no Ministério da Economia nessa quarta-feira (27/1), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu aos caminhoneiros que não interrompam suas atividades.

O mandatário da República foi questionado sobre a pauta da agenda com o ministro Paulo Guedes, e se abordou a redução do PIS/Cofins sobre o diesel, uma das demandas dos caminhoneiros. Bolsonaro disse ter tratado do assunto e afirmou que está estudando medidas para diminuir o impacto da alta no combustível, mas declarou que não tem como fornecer uma resposta imediata.

“Estamos buscando alternativas, mas não são fáceis. Agora, reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia do Brasil. Apelamos para eles que não façam greve. Todos nós vamos perder, sem exceção”, destacou o presidente.

“Estamos buscando uma maneira de não ter mais esse reajuste, porque os impostos federais são sobre o diesel. Eu estou pronto para zerar, a gente vai para o sacrifício, mas gostaria que ICMS acompanhasse também essa diminuição.”

O chefe do Executivo federal informou que não há data para tomar uma decisão e ressaltou que faz um apelo aos caminhoneiros, porque uma eventual paralisação causaria “transtorno” para a economia. “Eu não interfiro na Petrobras, [para] deixar bem claro. A Petrobras continua com a sua política de preços. Atualmente, 33 centavos do litro do diesel vão para PIS/Cofins, é isso que nós buscamos diminuir”, pontuou.

Segundo Bolsonaro, o preço na refinaria está “razoável”, mas até chegar a uma bomba de combustível tem ICMS, “que é o imposto mais caro que tem de combustível no Brasil”, além da margem de lucro e de monopólios.

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